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Estado de Minas

Foliões denunciam PM por uso excessivo de gás de pimenta no carnaval

Pelas redes sociais, foliões postaram que policiais utilizaram gás de pimenta para dispersar o público no fim dos blocos. PM vai averiguar uso indevido


postado em 14/02/2018 19:30 / atualizado em 14/02/2018 19:53

Uso teria sido em blocos como Tuthankasmona e Essa Boquinha Eu Já Beijei, que reuniu mais de 15 mil pessoas nos gramados da Funarte, no sábado de carnaval (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Uso teria sido em blocos como Tuthankasmona e Essa Boquinha Eu Já Beijei, que reuniu mais de 15 mil pessoas nos gramados da Funarte, no sábado de carnaval (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
As denúncias de foliões sobre a utilização de gás de pimenta para dispersar o público, ao fim da apresentação dos blocos carnavalescos, vai ser averiguada pela Polícia Militar. Hoje à tarde (14/02), o comandante-geral da PM, Marcos Antônio Nunes, assegurou que o recurso foi usado apenas para conter tumultos. “Se houve alguma utilização de gás em excesso, a PM vai apurar e tomar todas as providências necessárias”, garantiu. O assunto veio à tona durante coletiva de imprensa sobre o balanço de carnaval.

As reclamações sobre o uso indevido do gás ocorreram principalmente nos blocos Quem Chupou vai Chupar Mais, que concentrou no Setor Comercial Sul, em 3 de fevereiro; Cafuçu do Cerrado, no Setor Bancário Norte, em 4 de fevereiro, e no Tuthankasmona e Essa Boquinha Eu Já Beijei, que se apresentaram no gramado da Fundação Nacional de Artes, no sábado (10/2). Pelas redes sociais, foliões relataram casos semelhantes. 

O estudante Lukas Gomes, 21 anos, contou que no bloco Tuthankasmona, ele e amigos foram surpreendidos com policiais utilizando o gás de pimenta. A ação ocorreu em frente à Funarte, por volta das 20h, logo no fim da festa. “Levei uma jato de spray direto na nuca e nas costas. O policial não apertou só uma vez, ele apertou e segurou. Tinha um grupo sentado ao nosso lado e uma das meninas foi atingida no rosto. Nessa hora que começou a confusão, meu amigo me puxou e eu caí no chão. Como não conseguia respirar direito, vomitei e comecei a tossir sem parar”, afirma. 

Segundo o jovem, não estava ocorrendo tumultos no momento da intervenção da PM. “Perguntei para todos que estavam perto se em algum momento os policiais tinham pedido para que a gente se afastasse, mas todos disseram que não. A menina que foi atingida no rosto chegou a desmaiar, após ficar tossindo por muito tempo”, conta. 

 
 
Pelo Facebook, foliões criticaram atos da PM (foto: Reprodução/Facebook)
Pelo Facebook, foliões criticaram atos da PM (foto: Reprodução/Facebook)

O comandante-geral da PM informou que esteve presente em blocos todos os dias e que Policia Militar nunca utilizou gás de pimenta para dispersar o público. “O gás é utilizado para evitar que consequências maiores aconteçam”, assegurou. Nunes afirmou que a grande maioria dos blocos acabou suas apresentações em registro de violência. “O gás de pimenta é um recurso recomendado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pelo Ministério da Justiça, é usado no mundo inteiro porque não tem efeitos colaterais”, detalhou. 

A Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) também assegurou que não utilizou gás de pimenta. “Eu posso testemunhar que nenhum auditor da Agefis utilizou ou viu o uso de gás de pimenta para dispersão. O uso do recurso foi muito pontual e apenas para conter tumultos”, afirmou Bruna Pinheiro, diretora-presidente do órgão. 

O secretário de Segurança, Cristiano Barbosa Sampaio, garantiu que o gás de pimenta foi utilizado em situações específicas para resolver tumultos. “É um instrumento de menor potencial ofensivo e utilizado para dar melhor resposta com menor lesividade. Certamente, incomoda quem recebe e quem está próximo, mas é algo que depois de 30 minutos não deixa sequelas”, explicou. 

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