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Publicação: 27/06/2010 01:54 Atualização:
Pesquisa da USP detectou um aumento do nível do mar na costa brasileira de 40 cm por século, ou seja, 4 mm por ano. Segundo os especialistas, os dados preocupam e podem trazer inúmeras consequências para a população, principalmente para aqueles que moram próximo à costa. Na sua opinião, como o aumento do nível do mar pode afetar o homem? Quais os principais transtornos causados? O aumento do nível do mar está diretamente ligado à situação climática global?
O oceano é um ambiente dinâmico e em rápida evolução, cujas mudanças tornam-se cada vez mais evidentes à medida que o observamos com mais cuidado e atenção. Algumas das mudanças que detectamos foram causadas por nós mesmos, direta ou indiretamente. Enquanto que outras transformações surgem como novidade, talvez apenas por estarmos observando cada vez em mais detalhe e com equipamentos e ferramentas mais sofisticadas.
Amamos a zona costeira. Regiões costeiras, principalmente aquelas localizadas em torno de estuários, têm alta densidade populacional. Milhões de pessoas vivem numa faixa entre 1 e 5 metros da linha de costa (maré alta). Bilhões de dólares em infraestrutura estão investidos em regiões imediatamente adjacentes à costa. A maioria das megalópoles mundiais, com populações de muitos milhões de habitantes, estão também na zona costeira.
Os oceanos estão mudando. Diversas observações têm mostrado que o oceano tem passado por mudanças nas últimas décadas. Um aspecto dessa questão é a questão do aquecimento, que resulta no aumento de volume de água por expansão termal. Também há adição de água proveniente dos glaciares e calotas de gelo polares, assim como mudanças nos reservatórios de água continentais (retenção de água em reservatórios artificiais e extração de água dos aquíferos). Todos esses aspectos juntos resultam em variações no nível do mar.
A elevação do nível do mar é uma resposta ao aumento das concentrações de gases do efeito-estufa na atmosfera e as consequentes mudanças no clima global. A elevação do nível do mar contribui com a erosão costeira e a inundação de regiões costeiras baixas, particularmente durante a ocorrência de eventos meteorológicos extremos. Esta elevação também leva à intrusões de água salgada nos aquíferos de água doce, deltas e estuários. Estas mudanças impactam nos ecosistemas costeiros, recursos hídricos e atividades ou assentamentos humanos. As regiões sob maior risco incluem os deltas densamente povoados, pequenas ilhas (especialmente atóis) e costas arenosas apoiadas por grandes desenvolvimentos costeiros. Como já mencionado, o nível do mar global se elevou durante o século passado. Estima-se que esta elevação se acelerará no século 21 e além, devido ao aquecimento global. Entretanto, a magnitude dessa elevação permanece incerta. Algumas incertezas-chave incluem o possível papel das coberturas de gelo da Groelândia e Antártica Ocidental, assim como, a amplitude de oscilações regionais do nível do mar. Em certas áreas, componentes não climáticas das variações do nível do mar (principalmente a subsidência), também podem ser localmente significativas. Ainda que os impactos da elevação do nível do mar sejam potencialmente grandes, a aplicação e o sucesso de medidas mitigadoras ou adaptações permanecem duvidosas, requerendo mais esforço de pesquisa e consideração.
Como o Inpe monitora essa questão? Quais os equipamentos utilizados e quais as regiões analisadas?
O Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) integra o esforço brasileiro de participação no Sistema Global de Observação do Nível do Mar (Gloss-Brasil). O programa compreende atividades relacionadas ao monitoramento do nível do mar em águas jurisdicionais brasileiras, com o objetivo de implantar rede permanente de monitoramento do nível do mar, gerar dados com qualidade científica, e que suportem análises de tendência de longo-período do nível do mar. Capacitar pessoal para a produção e análise de informações sobre o nível do mar, promover a disseminação de informações, além de interagir com outros programas nacionais e internacionais, também estão entre os objetivos.
A comunidade de usuários de informações sobre o nível do mar (portos, empresas privadas, institutos de pesquisa, etc.) devem se envolver para fins de aplicações práticas, como por exemplo: estimativas das variações do nível do mar, caracterização de fenômenos e seus impactos na costa, tais como o El-Niño, apoio a atividades de engenharia costeira, previsão de marés, apoio a atividades portuárias e segurança a navegação, além do suporte para sistemas de alarme de tsunamis.
O Inpe é responsável pela estação de medição instalada nos rochedos de São Pedro e de São Paulo, que juntamente com outras 11 estações compõem a rede maregráfica Gloss-Brasil. A ferramenta básica de uma estação de monitoramento do nível do mar é o marégrafo. Este equipamento consiste em um medidor que registra a altura do nível de água ao longo do tempo, utilizando diferentes sistemas, tais como: bóias, sensores de pressão, contatos elétricos, pulsos acústicos, radares, entre outros. Para integrar a rede, os marégrafos devem estar de acordo com o Plano de Implementação do Gloss. É muito importante que as estações realizem não só medições redundantes do nível do mar, como também medições de outros parâmetros meteorológicos e oceanográficos, tais como pressão atmosférica, temperatura do ar e da água, precipitação, evaporação, direção e intensidade do vento, entre outras.
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Esta matéria tem: (1) comentários
Autor: maria mecler
Muito importante essa entrevista, que deveria ser mais divulgada para a população brasileira. O Dr. Milton Kampel, seguramente, e pelo cargo que ocupa no INPE, tem conhecimento e informações seguras sobre este problema. parabéns ao jornal por realizar essa entrevista e parabéns ao entrevevistado. | Denuncie |