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Paciente será submetida a cirurgia para corrigir desvio de maxila e mandíbula

Criador de uma técnica que acelera a recuperação, norte-americano fará o procedimento

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postado em 18/08/2010 07:00 / atualizado em 18/08/2010 04:02

A secretária Tatiana Valente, 30 anos, realiza hoje, bem cedo, por volta das 6h, um grande sonho. Depois de cerca de 15 anos, ela fará uma cirurgia para se livrar das dores na face e da dificuldade de mastigar. Chiclete, por exemplo, é uma palavra que não consta do dicionário da vida dela. Hábitos saborosos, como morder uma maçã ou mesmo dar um beijo, transformam-se em atitudes dolorosas.

Tatiana vai ser operada depois de percorrer por vários anos os corredores dos serviços de cirurgia bucomaxilar do Hospital de Base (HBDF) e do Hospital Universitário de Brasília (HUB). “A rede de saúde pública considera o meu caso grave, mas o encara como uma cirurgia eletiva, ou os cirurgiões alegam que não há material”, conta. A funcionária do Banco Central tentou realizar a cirurgia pelo plano de saúde, mas o tratamento não foi aprovado. “A operação custa cerca de R$ 25 mil. Não tenho esse dinheiro”, diz a moça, que tem uma filha de 6 anos e mora com os pais na Asa Norte.

A sorte dela mudou com a confirmação da vinda à Brasília do cirurgião bucomaxilar americano Larry Wolford, criador de uma técnica de cirurgia ortognática que substitui o disco responsável pela ligação dos ossos da mandíbula e do maxilar com o crânio. Ele está na cidade participando do Primeiro Simpósio Internacional de Cirurgia Ortognática do Distrito Federal e hoje, às 7h, entra no centro cirúrgico do Hospital Brasília para corrigir o desvio da maxila e da mandíbula de Tatiana. A operação será transmitida para dezenas de dentistas e médicos que estarão no auditório do hospital.

Tatiana e Wolford encontraram-se apenas uma vez, no domingo, em um consultório odontológico no Centro Clínico Via Brasil, na Asa Sul. Na ocasião, o dentista americano verificou os exames feitos por ela, mediu a arcada dentária e a arcada craniana da moça e explicou como será a cirurgia. “Estou confiante”, afirma Tatiana.

Os exames pré-operatórios são de tecnologia avançada e foram feitos pelo cirurgião bucomaxilar Rogério Zambonato, ex-residente da clínica de Wolford, nos Estados Unidos. Segundo ele, a técnica empregada foi a de um moderno software chamado Dolphin 3D. O aparelho visualiza de forma tridimensional os tecidos ósseos, os dentes, os tecidos moles da face e, principalmente, as vias aéreas. Tem a capacidade de realizar simulações de tratamentos cirúrgicos, apresentando perspectivas faciais laterais, além de mostrar o volume do espaço entre as vias aéreas superiores e inferiores. “Usamos o programa para complementar o diagnóstico e proporcionar maior entendimento ao paciente sobre as alterações presentes e as possíveis alternativas de tratamento”, esclarece Zambonato.

// Entrevista - Larry Wolford
Progresso técnico


O cirurgião bucomaxilar Larry Wolford, 66 anos, criou um método cirúrgico que permite acelerar a recuperação do paciente. O norte-americano, que considera os profissionais brasileiros “excelentes”, conta como funciona a operação.

Qual a principal diferença entre a sua técnica e a empregada por outros especialistas?
A maioria dos dentistas e dos cirurgiões procuram corrigir apenas o alinhamento dos dentes. Eu vejo o paciente como um todo, avaliando a função da articulação da mandíbula com o maxilar, geralmente associada ao surgimento de dores de cabeça e de tensão muscular. Antes da cirurgia, faço uma avaliação das vias aéreas, pois geralmente quem possui deformidades faciais também sofre de problemas respiratórios, como apneia do sono. Em casos como esses, a cirurgia corrige os dois distúrbios.

As cirurgias ortognáticas são consideradas extremamente invasivas e de difícil recuperação. Essa avaliação é verdadeira?

Hoje, as técnicas tornaram a cirurgia mais fácil. O cirurgião consegue fazer a fixação dos ossos com o uso de placas e parafusos, permitindo que o paciente termine a operação de boca aberta. No passado, ele ficava com a boca amarrada por armaduras ou gesso por cerca de um mês, piorando a qualidade do pós-operatório. Com o novo método, a pessoa é liberada para a vida normal depois de 15 dias. A recuperação total da função mastigatória ocorre em cerca de três meses.

Casos de dores no rosto e na cabeça e problemas de mastigação e bruxismo são resolvidos apenas com a cirurgia ortognática?
A cirurgia ortognática é responsável por movimentar as bases ósseas da maxila e da mandíbula. Por isso, é preciso avaliar também possíveis desvios na articulação desses ossos. Corrigindo a ATM e o alinhamento dos dentes, os problemas de dores geralmente desaparecem. Já o bruxismo pode ser provocado pela diferença na arcada dentária, mas também pode estar associado a distúrbios psicológicos ou neurológicos. Ou seja: mesmo corrigindo a deformidade, o paciente pode continuar com o ranger dos dentes. Nesses casos, tento controlar o bruxismo indicando medicamentos específicos.

A quiropraxia, a osteopatia e outras práticas de manipulação podem solucionar esses distúrbios sem necessidade de cirurgia?
O desvio na ATM está relacionado ao deslocamento do disco que articula os ossos da mandíbula e da maxila com a base do crânio. A cirurgia reposiciona esse disco. Técnicas como a quiropraxia e a osteopatia podem ajudar o paciente a eliminar os sintomas, mas não corrigem o distúrbio.

Qual a avaliação do senhor das cirurgias temporomandibulares realizadas no país?
Os dentistas brasileiros são excelentes. Venho ao país desde 1976 e posso dizer que a odontologia brasileira possui um time campeão de profissionais. Tenho um programa de residência em minha clínica em Dallas, no Texas, e nove brasileiros já participaram como residentes. Todos se destacaram e foram aprovados com grau de excelência.

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