Dormir é fundamental para o desenvolvimento físico e emocional das crianças

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postado em 07/06/2011 09:18

Quando têm uma boa noite de sono, muitas pessoas costumam dizer que dormiram “como um bebê”. A expressão remete à ideia de que o momento de descanso das crianças costuma ser tranquilo. Muitos pais, no entanto, sabem que isso nem sempre é verdade e se preocupam com o sono agitado de seus filhos. E com razão. A saúde do bebê está diretamente ligada às horas de descanso. Não por acaso, nos primeiros meses de vida, as crianças chegam a dormir 16h por dia, intercalando o repouso com outras atividades.

“O sono está relacionado ao funcionamento cardiovascular, imunológico e metabólico. É importante do ponto de vista tanto orgânico como psicológico. Ele interfere nas capacidades cognitivas e nas habilidades sociais da criança”, diz o pediatra e professor da Universidade de Brasília (UnB) João da Costa Pimentel Filho. Segundo o especialista, que também é membro do Núcleo Permanente de Estudos sobre o Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria, é durante o sono que o bebê assimila aquilo que viveu e aprendeu na vigília. Por isso, dormir tranquilamente é fundamental para a capacidade de aprendizado. Além disso, ao dormir, o organismo libera os hormônios do crescimento.

Então, qual é a melhor forma de garantir um sono saudável às crianças? Segundo os médicos, a resposta está na rotina. “O bebê precisa estar seguro em relação ao ambiente em que vive, e é necessário que algumas medidas sejam tomadas, por exemplo, que um dia seja igual ao outro. Isso dá ao bebê a noção de previsibilidade, muito importante para a garantia da segurança”, explica a psicóloga Cynthia Boscovich. Pimentel Filho concorda: “A criança não é uma máquina, ela vai sentir vontade de comer e dormir em horários diferentes dos nossos porque os recém-nascidos, principalmente, ainda não fazem a diferenciação do dia e da noite. Os pais precisam acostumá-lo à hora de dormir, acalmando progressivamente o ambiente”.

Rituais antes do sono são importantes para que o bebê compreenda que o dia está acabando e que é hora de descansar. Um banho, uma massagem e uma música calma são infalíveis para desacelerar o bebê, que deve preferencialmente dormir sempre no mesmo lugar. Segundo os especialistas, é bom evitar deixar a criança adormecer fora do berço ou da cama para ser transportada depois.

A atriz e empresária Juliana Drummond, 34 anos, utiliza a mudança de luminosidade para que Francisco, 3 meses, faça a transição da hora de brincar para a hora de dormir. “À noite, costumamos iluminar a casa com abajures, deixando o clima mais aconchegante”, conta. A troca de roupa para um pijama confortável após se refrescar em um baldinho de água, quando o tempo não está frio, é outro ritual utilizado pela mãe. Assim, Francisco aprende aos poucos. “Não estou impondo nada, estamos trabalhando juntos no desenvolvimento dele. A gente se adapta ao nosso filho e ele se adapta a nós.”

A servidora pública Patrícia Ferreira, 27 anos, também já estabeleceu rotinas com a filha Luana, 3 meses. “Para ela dormir bem, é preciso ter a hora certinha de ir para a cama”, diz. Ela procura também perturbar o mínimo possível o sono da filha. A menina acorda apenas uma vez para mamar durante a noite, e a mãe observa sua movimentação para tirá-la do berço antes do despertar completo. “Depois do peito, ela volta direto para a cama para continuar a dormir tranquilamente”, conta. Patrícia também evita trocar a fralda durante a noite para não agitar a filha. “Criança que não dorme bem fica nervosa, agitada e não se alimenta direito.”

Hora certa
Estratégias como as adotadas por Juliana e Patrícia são importantes também para que a criança, ao ficar mais velha, se acostume a dormir no horário adequado. Segundo Pimentel Filho, é importante que a criança durma cedo, e um erro comum de alguns pais é achar que horas de sono a mais pela manhã compensam o tempo de descanso perdido à noite. “Dormir muito tarde não faz bem para ninguém, principalmente para a criança, que fica privada da alimentação no horário adequado, do contato social que ela pode ter com a família e com outras crianças, além de ficar mal acostumada para o horário escolar”, alerta.
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