Ciência e Saúde

Pato-mergulhão faz raras aparições na Serra da Canastra, em MG

Biólogos conseguem acompanhar o desenvolvimento de novos ninhos da ave, uma das espécies mais ameaçadas do mundo. Filhote que se separou da família é levado para cativeiro

Augusto Pio - Especial para o Correio
postado em 26/08/2014 08:52
Uma das famílias acompanhadas desliza sobre as águas: geralmente, os filhotes vivem na companhia dos pais até os 8 meses
Belo Horizonte
; Desenvolvido pelo Instituto Terra Brasilis, o Programa Pato-Mergulhão conseguiu monitorar, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, três ninhos da espécie e acompanhar o nascimento de 13 filhotes. Os números aparentemente modestos ganham grande significado quando se leva em conta que o animal é uma das 10 aves aquáticas mais ameaçadas do mundo, sendo extremamente rara atualmente.

Além disso, durante a observação de um dos ninhos, a equipe de pesquisadores encontrou um filhote de pato-mergulhão que havia se separado da família logo depois de seu nascimento. A situação impôs aos biólogos um trabalho inédito para eles nos quase 13 anos de estudos sobre a espécie. Depois de avaliar como baixas as condições de sobrevivência do pequeno animal na natureza, eles optaram por encaminhá-lo para cativeiro, onde teria maior chance de sobreviver.

Levada para o Zooparque Itatiba, no estado de São Paulo, conforme estabelecido pelo Plano de Ação para a Conservação da espécie, a ave está se desenvolvendo bem, ganhando peso e sendo acompanhada de perto por profissionais. Essa é a segunda vez que um indivíduo da espécie é criado fora do ambiente natural. Em 2011, um casal de patos-mergulhões nasceu em cativeiro em Poços de Caldas (MG). Com o apoio do Terra Brasilis e autorização do ICMBio, os ovos foram coletados na Serra da Canastra e levados para uma incubadora artificial. O nascimento sob proteção humana nunca havia sido registrado em todo o mundo.



Lívia Lins, bióloga e coordenadora do Programa Pato-Mergulhão, conta que o Instituto Terra Brasilis, criado em 1998 e presidido por Sônia Rigueira, tem uma base de campo na cidade de São Roque de Minas, na Serra da Canastra, que abriga a equipe de pesquisadores. Como parte dos estudos, durante todo o ano, os pesquisadores fazem o monitoramento da espécie nos rios da região, visando a conhecer seus hábitos e localizar novos territórios em diferentes rios. No período da reprodução da ave, a equipe se dedica à busca e ao monitoramento de ninhos. ;Como o pato-mergulhão usa cavidades nas margens dos rios para fazer seu ninho, muitas vezes em locais de difícil acesso, a localização demanda um intenso levantamento. Os rios são percorridos em parte a pé, em parte com o uso de caiaque;, explica Lins.

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