Para evitar gravidez múltipla: fertilização in vitro com apenas um óvulo

Clínicas começam a implantar apenas um óvulo fecundado no útero de mulheres para que elas não engravidem de mais de um bebê. Eficiência da técnica é questionada

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postado em 18/04/2015 08:12

Junia Oliveira



Belo Horizonte — O ultrassom não nega: ao fim de nove meses, os pais sairão da maternidade com mais de um filho nos braços. Uma surpresa comum para casais que se submetem à fertilização in vitro. Procedimento adotado recentemente no Brasil e já difundido na Europa e nos EUA, porém, propõe evitar a gestação múltipla nesse tipo de tratamento. Em vez de transferir para o útero vários embriões, a mulher recebe apenas um óvulo fecundado. Embora as taxas de sucesso da gravidez diminuam, especialistas ponderam que o método evita complicações para as mamães e os bebês.

O obstetra Pedro Monteleone, diretor da Clínica de Reprodução Humana Monteleone, em São Paulo, passou a adotar, há quatro anos, a transferência eletiva de somente um embrião nos casos de bom prognóstico. A ideia foi copiada de experiência na Suécia, em que o método é praticado há oito anos. Monteleone, que também é coordenador técnico do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas de São Paulo, relata que, historicamente, as taxas de gestação múltipla giram em torno de 30% por ciclo de tratamento. De cada 100 casais que se submetem à terapia de fertilização in vitro, 40 engravidam e, dessas gestações, 30 serão de gêmeos.

Raramente ocorre gravidez tripla ou quádrupla, comuns na década de 1990 e no início dos anos 2000. “Nos últimos 10 anos, os centros de reprodução humana passaram a transferir apenas dois embriões. Por isso, houve queda importante no número de trigêmeos, mas a quantidade de gêmeos se manteve”, diz Monteleone.

O especialista explica que, entre os impactos na saúde pública, estão o aumento de incidência de prematuros e o risco três vezes maior de pré-eclâmpsia. Em média, a opção pela transferência de apenas um embrião reduz a taxa de sucesso de gravidez de 40% para 30% por ciclo de tratamento. Por outro lado, segundo o obstetra, os dados de complicações maternas e neonatais se igualam aos da população em geral.

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