Estudo revela que noite maldormida prejudica a formação de lembranças

A descoberta pode levar, futuramente, ao desenvolvimento de remédios que ajudem na manutenção da memória

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postado em 04/05/2016 06:10

A relação entre memória e sono é um antigo objeto de estudo dos cientistas, mas pode ser constatada por qualquer um que já sacrificou uma boa noite de descanso. No dia seguinte, o cérebro deixa a desejar, e as informações guardadas parecem envoltas numa névoa de distração. Um novo estudo que procura explicar esse fenômeno descreve pela primeira vez o mecanismo que liga o sono à formação de memórias e mostra como uma noite maldormida pode prejudicar a produção do “combustível” usado para a consolidação do aprendizado. O trabalho, publicado na revista Science Signaling, pode também levar ao desenvolvimento de uma terapia contra problemas de memória.

O trabalho se baseia em um experimento feito com ratos de laboratório, que consistia em colocar os bichos em uma caixa com três diferentes objetos em locais específicos. Os roedores podiam explorar o cenário à vontade e, depois, iam dormir. Enquanto um grupo de cobaias podia manter seus hábitos normais de sono, o outro era acordado diversas vezes durante a noite, perdendo cerca de cinco horas de descanso.

No outro dia, os bichos eram recolocados na mesma caixa, mas um dos objetos havia sido deslocado. Os pesquisadores esperavam que os animais com boa memória se interessassem pela novidade, e passassem mais tempo interagindo com o objeto movido. E, de fato, foi exatamente isso que fizeram os ratos que tinham tido uma boa noite de sono. Já os bichos que haviam dormido mal não pareciam notar a mudança e apresentavam um comportamento similar ao da primeira visita àquele ambiente.

Reversão
Os resultados são consistentes com uma série de outros estudos que também encontraram a relação entre o cansaço e problemas cognitivos, mas o aspecto mais interessante desse experimento se revelou na segunda parte do trabalho, quando os cientistas investigaram os efeitos da falta de sono no funcionamento do cérebro dos animais. Mais especificamente, eles analisaram o hipocampo, o centro de memória e aprendizado.

Usando uma substância que acusa a nova produção de proteínas, os pesquisadores constataram que os bichos que dormiram pouco e foram mal no teste de memória também apresentaram níveis mais baixos de um complexo chamado mTORC1. Já as cobaias que dormiram bem não demonstravam essa deficiência, levando à hipótese de a falta dessa molécula afeta o caminho de reações necessárias para a formação de lembranças.

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