Pesquisadores apresentam braço robótico capaz de realizar cirurgias

Ele consegue fazer sozinho e com precisão intervenções em tecidos moles, como coração, intestino e estômago. Em testes com porcos, a máquina se mostrou mais eficiente que todas as técnicas atuais

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postado em 05/05/2016 07:01

À primeira vista, ele não é propriamente uma figura delicada. Ainda assim, é capaz de executar movimentos mais precisos que o melhor cirurgião do mundo. Nesse braço robótico, cientistas depositam a esperança de que procedimentos complexos tenham riscos mínimos, se não zero, para os pacientes. Apresentado ontem na capa da revista Science Translational Medicine, o sistema Star — desenvolvido pelo Instituto de Inovação Cirúrgica Pediátrica Xeique Zayed, de Washington, e pelo Departamento de Ciência da Computação da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore — é a primeira máquina a executar, sozinha, uma intervenção médica.

Há tempos a medicina trabalha com o conceito minimamente invasivo, valendo-se de técnicas endoscópicas e de outros braços robóticos, que auxiliam o cirurgião durante o procedimento. A diferença do Star (abreviação para Smart Tissue Autonomous Robot, ou Robô Autônomo de Tecidos Inteligente, em tradução livre) é que ele executa a intervenção completamente sozinho. O médico pré-programa no software o tamanho da incisão e a distância entre as suturas, por exemplo, e a máquina faz todo o resto. Ainda experimentais, as cirurgias desempenhadas pelo Star e descritas ontem foram realizadas em porcos — todos os animais sobreviveram sem complicações.

Um dos desafios ao se pensar uma cirurgia robótica autônoma, na qual os médicos não encostam a mão no paciente, é que os tecidos moles — coração, intestino, estômago, entre outros — são maleáveis. Contudo, as sofisticadas ferramentas cirúrgicas e de imagem que integram o novo sistema permitem que o médico fique ao lado do robô, ajudando-o a manipular os tecidos e adaptar os movimentos à medida em que eles deformam.

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“Imagine que você precisa de uma cirurgia. Não seria crucial ter o melhor cirurgião e as melhores técnicas disponíveis para garantir o sucesso do procedimento? Para os pacientes, os benefícios de ter uma máquina que traz mais segurança são óbvios. Para os cirurgiões, ter uma ferramenta que trabalhe conosco, garantindo resultados melhores, também é um benefício tremendo. E, finalmente, para o sistema de saúde pública, quando você tem um equipamento que permite reduzir custos e complicações, é claro que isso será benéfico”, justificou, em uma coletiva de imprensa, Peter Kim, cirurgião pediátrico do Instituto Xeique Zayed e um dos autores do trabalho.

Ele explicou que o software que comanda o braço robótico mostra imagens tridimensionais e em neoinfravermelho (uma tecnologia semelhante à da visão noturna usada por militares). “Combinando as duas, somos capazes de acompanhar um movimento no tecido mole com a precisão necessária para desempenharmos uma tarefa cirúrgica.”

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