Hábito de entrar no mar nem sempre acompanhou os brasileiros

Foi apenas no século 19, depois que a natação começou a ser vista como tratamento médico, que a população urbana do país se aproximou do litoral

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postado em 08/05/2016 08:00

Internet/Reprodução


Ir à praia e tomar banho de mar é algo tão presente no cotidiano que parece ter sido, desde sempre, um hábito nacional. Reforça essa crença a ideia — muito disseminada, inclusive em alguns livros didáticos — de que se lavar diariamente seria uma das contribuições indígenas para a cultura do país. Recentemente, porém, historiadores têm se dedicado a mostrar que a paixão do brasileiro pelo litoral é algo muito mais recente e que está ligada ao fortalecimento de outros “patrimônios” tupiniquins, como o próprio futebol.

Um dos maiores estudiosos do tema, Victor Melo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que os habitantes das cidades brasileiras, no quesito banho, sempre foram mais parecidos com os europeus do que com os indígenas. Isso significa que, durante muito tempo, esse hábito foi visto como despudorado. Despir-se e limpar o corpo era sinal da mais pura falta de vergonha.

Esse cenário começou a se transformar quando, no século 18, médicos europeus passam a prescrever banhos para tratar as mais variadas doenças. Aos poucos, lavar-se passou a ser visto pelos brasileiros mais ricos como um comportamento requintado, fazendo com que se tornasse uma verdadeira moda a partir da segunda metade do século 19.

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O problema era que, com um sistema de distribuição de água incipiente, os moradores da então capital do país precisavam achar uma alternativa para as piscinas europeias. A saída foi apelar para o oceano. “Antes, as pessoas não entravam no mar para nada. Elas tinham medo”, conta Melo, autor do livro Rio esportivo (Casa da Palavra) e do artigo Enfrentando os desafios do mar: A natação no Rio de Janeiro do Século XIX, publicado no jornal especializado Revista de História, da Universidade de São Paulo (USP).

Separação
Esse interesse pelo mar deu início a uma série de transformações sociais. A primeira foi o incentivo à prática da natação. “Quando se começa a estimular o banho de mar, é necessário criar segurança para as pessoas. Assim, se estimula também a natação, para se ter controle dos acidentes que podem acontecer”, observa Melo. Além disso, essa modalidade esportiva contava com o apoio dos médicos europeus, que recomendavam a prática para tratar males como anemia, letargia e transtornos mentais.

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