Descoberta de 1.284 novos planetas deve revolucionar o estudo do Universo

Novo método de análise dos dados colhidos pelo telescópio espacial Kepler permite a identificação de um número recorde de mundos orbitando estrelas diferentes do Sol

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postado em 11/05/2016 08:02

Nasa/W.Stenzel/Divulgação


A análise de observações realizadas pelo telescópio espacial Kepler confirmou a existência de 1.284 novos planetas, quase dobrando o número de mundos fora do Sistema Solar conhecidos com a ajuda do equipamento. A coleta de dados, concluída em 2013, resultou na identificação de 4.302 objetos; e uma avaliação posterior realizada pelos cientistas revelou que mais de um terço deles seriam, de fato, planetas. Estima-se que quase 550 desses corpos sejam rochosos, como a Terra, e que nove orbitem na zona habitável — a uma distância da estrela que fornece o calor ideal para a existência de água líquida e para o surgimento de vida. A descoberta aumenta para 21 o número de planetas que se encaixam nesse perfil.

O catálogo, o maior já divulgado pelos astrônomos, foi construído com base em um novo método de análise estatística que determina qual é a probabilidade de um sinal captado ter origem em um planeta. A técnica permite o uso de um programa de computador para avaliar esses sinais de uma forma impossível pelos meios tradicionais. Até então, cada candidato teria de ser observado separadamente, com a ajuda de outros instrumentos.

Como a maioria dos sinais detectados pelo Kepler e por outros telescópios acabam se revelando impostores, o trabalho de pesquisa planetária acaba sendo lento e rendendo poucos resultados. “Quando o Kepler começou, falsos positivos eram bem comuns”, ressaltou em uma entrevista coletiva Timothy Morton, pesquisador da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Ele é o principal criador do novo programa que permite a análise simultânea dos candidatos planetários, descrito em artigo publicado ontem no Astrophysical Journal.

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O sistema processa milhares de sinais automaticamente, comparando-os com simulações e com falsos positivos. O método também leva em conta a provável distribuição planetária e o tipo de estrela que abriga o objeto estudado. “A grande diferença é que essa é uma técnica totalmente automatizada, que pode ser aplicada a todos os candidatos em apenas alguns minutos”, resumiu Morton. As chances de os objetos apontados cumprirem os requisitos necessários para atingir o status planetário são superiores a 99%.

Além de acelerar a descoberta de novos planetas, a tecnologia vai ajudar a identificar as estrelas que abrigam planetas com potencial para o surgimento de vida. “Isso vai ser muito importante para as descobertas mais valiosas do Kepler, que são os pequenos planetas orbitando a zona habitável”, afirmou na mesma entrevista a astrofísica Natalie Batalha, pesquisadora da missão Kepler no Centro de Pesquisa Ames, na Califórnia. “Isso vai mudar a forma como vemos o Universo. Vamos olhar para o céu e não veremos mais pontos de luz, veremos estrelas e sistemas planetários, como parte desse objetivo estratégico de saber se há vida fora da Terra ou não.”

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