Pesquisadores encontram variações no DNA associadas a maior escolaridade

Consórcio internacional de pesquisadores encontra 74 variações no DNA associadas a uma maior escolaridade. O acréscimo, no entanto, parece ser pequeno, não passando de algumas semanas a mais de dedicação aos livros

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postado em 12/05/2016 06:00

Karam Al-Masri/AFP


O bom desempenho escolar está associado a diversos fatores, como condições socioeconômicas do aluno, experiência do professor, recursos pedagógicos disponíveis, gosto pelos estudos, disciplina e relação da família com a escola, entre muitos outros. Nos últimos anos, mais um elemento começou a compor essa equação: a genética. Não sem críticas, alguns cientistas têm associado variantes de genes — a maior parte implicada com o desenvolvimento neuronal — à inteligência e à escolaridade média da população. Um desses pesquisadores é Daniel Benjamin, da Universidade do Sudeste da Califórnia. Ele compõe um grupo de investigadores que tentam aproximar as ciências médicas das sociais e, desde 2010, têm conduzido estudos nessa linha.

Na edição de ontem da revista Nature, Benjamin apresentou os dados numericamente mais robustos até agora para sustentar que existe uma influência genética na educação. Ele fez parte de um consórcio internacional de 253 cientistas dos Estados Unidos, da Austrália, da Dinamarca, da Estônia, da Islândia, da Holanda e da Suécia que analisaram o sequenciamento de 293.723 europeus de 15 países, cujos registros incluíam quantos anos passaram nos bancos escolares. O resultado apontou 74 variações genéticas associadas à escolaridade média. Boa parte desses genes têm relação com o desenvolvimento do tecido neural, principalmente durante o período pré-natal.

O biólogo ressalta que não está falando de um conjunto de genes da inteligência. Embora as aptidões cognitivas tenham componentes hereditários, há um criticismo geral no meio científico quando se propõe que uma ou outra variante seja responsável pelo brilhantismo do intelecto. O mesmo vale para as associações entre genética e médias de anos de estudo. Até porque, de acordo com Benjamin, para um quadro mais claro da influência do DNA na educação, seria preciso avaliar ao menos 1 milhão de sequenciamentos. Ainda assim, ele destaca que o achado do trabalho pode ser importante para políticas educacionais.

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