Estudo indica que a ação de fungos pode não ser a principal causa da caspa

Caspa parece mais ligada a um desequilíbrio das bactérias existentes no couro cabeludo, segundo pesquisa

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postado em 13/05/2016 06:10

Por possuir tratamento relativamente simples, a caspa é uma das doenças dermatológicas mais exploradas pela indústria de cosméticos, que comercializa em supermercados e farmácias uma grande variedade de xampus que prometem o controle da dermatite seborreica — como o problema é formalmente chamado — por meio do combate a fungos presentes no couro cabeludo. No entanto, um estudo publicado na revista Scientific Reports alerta que a descamação também pode ser provocada pelo desequilíbrio de bactérias existentes na cabeça, indicando que tratamentos antifúngicos comuns podem não resolver o problema de muitas pessoas.

“Micro-organismos no couro cabeludo, especialmente fungos do gênero Malassezia, eram considerados os principais causadores da doença. Nesse trabalho, ficamos surpresos ao observar que a relação da caspa com a proporção de bactérias era mais forte do que a relação com os fungos. A gravidade da doença parece depender mais da diminuição das taxas de Propionibacterium em relação à Staphylococcus do que da ação dos fungos”, explica Menghui Zhang, autor sênior do trabalho e pesquisador da Shanghai Jiao Tong University, na China.

Comparados com pessoas que não sofrem com o problema, as taxas de Propionibacterium nos sujeitos com caspa avaliados caíam de 70,8% para 50,2%, ao passo que as de Staphylococcus aumentavam de 26,0% para 43,5%. Além disso, a pesquisa constatou tipos do fungo Malassezia que não provocam o problema. A espécie M. restricta, por exemplo, foi encontrada em 87,2% dos participantes saudáveis e em 90,6% das pessoas com caspa, uma diferença muito pequena para ser apontada como vilã. “Não negamos a ação dos fungos completamente, pois ainda é possível que eles exerçam diferentes papéis na geração da caspa, ao lado das bactérias”, observa Zhang (leia mais abaixo).

Para chegar às conclusões, os pesquisadores associaram os micro-organismos que residem no couro cabeludo com a gravidade e a área da cabeça mais afetada pela caspa em 59 chineses de 18 a 60 anos. Produção de sebo capilar, sexo e idade dos participantes também foram considerados. Os cientistas observaram que a descamação ocorre com mais frequência na região superior do couro cabeludo, que é mais oleosa e menos úmida. Curiosamente, participantes mais jovens tinham taxas de sebo relativamente maiores do que os do grupo mais velho. Apesar disso, sofriam menos com a doença, indicando que a oleosidade não é, de fato, uma determinante para a caspa.

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