Estudo revela como células de tumores se ocultam nos ossos de pacientes

Cientistas dos EUA descobrem como células do tumor se ocultam dentro dos ossos dos pacientes para, depois do tratamento, espalharem a doença. A pesquisa abre caminho para tratamentos mais eficazes contra o carcinoma

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postado em 26/05/2016 08:10


Mesmo pacientes diagnosticados e tratados precocemente contra o câncer de mama podem ser surpreendidos, anos mais tarde, com a recidiva metastática — quando a doença volta e se espalha para outras partes do corpo. Inclusive, até 30% deles têm micrometástases na matriz óssea (MO) nas três primeiras fases da doença. Até a edição desta semana da revista Science Translational Medicine, a forma como as células doentes se escondem no interior dos ossos era desconhecida. Mas, agora, pesquisadores dos Estados Unidos afirmam não só ter identificado a molécula que permite o refúgio do tumor nos ossos, como também dizem ter encontrado uma forma de sabotar a tática furtiva de camuflagem que, muitas vezes, deixa a doença um passo a frente do tratamento.

“Identificamos um importante mecanismo que permite que as células do câncer de mama permaneçam ancoradas na matriz óssea. Em ratos, nossas descobertas podem oferecer novas estratégias para intervir, em nível molecular, antes que células dormentes possam tomar posse do organismo e causar uma recaída”, diz Dorothy Sipkins, autora do estudo e pesquisadora da Universidade de Duke (EUA). O passe livre das células tumorais, explica Sipkins, depende da ação da E-selectina, molécula utilizada pelo tumor para viajar até o interior do osso sem ser percebido. Felizmente, os cientistas descobriram que a E-selectina pode ser inibida com um composto que já existe.
Os resultados fornecem nova visão sobre uma das tendências mais devastadores de alguns cânceres, sobretudo o de mama: a capacidade de reaparecer em outros órgãos depois de ter sido aparentemente vencido. Na esteira de estudos anteriores que buscavam maneiras de prevenir a invasão da matriz óssea pelo câncer e expulsar a doença que já se encontrava lá, a equipe liderada de Sipkins rastreou o caminho que células tumorais percorrem no sangue e nos tecidos de camundongos.

Presente em até 75% dos casos de câncer de mama, essas “células operárias” ligam-se a hormônios como estrógeno e progesterona, no caso de mulheres, a fim de utilizá-los como alimento para o crescimento do câncer. Seu objetivo é encontrar, na matriz óssea, vasos sanguíneos que contenham a E-selectina. Essas moléculas são “sequestradas” e utilizadas como passaportes das células viajantes até o tecido esponjoso no interior dos osso, onde a doença pode dormir por anos sem ser notada.

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