Análise de imagens revela que Marte está saindo de era glacial

As calotas polares do Planeta Vermelho têm sofrido grandes mudanças. O fim da era glacial pode ajudar pesquisadores a identificar indícios de habitabilidade

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postado em 27/05/2016 08:10 / atualizado em 26/05/2016 23:12

Nasa/AFP


Imagens de radar desvendaram mais uma peça do quebra-cabeça que forma o misterioso passado marciano. Um novo estudo publicado hoje na revista Science revela que Marte está saindo de uma era glacial que cobriu de gelo a superfície do Planeta Vermelho há 370 mil anos. A revolução climática, aponta o artigo, é a última de uma série de mudanças drásticas vividas pelo planeta, cuja órbita inconstante favorece esse tipo de fenômeno. A descoberta deve ajudar os pesquisadores a determinar se Marte teve condições de abrigar vida no passado, além de servir de modelo para o estudo da dinâmica climática do nosso planeta.

Estudos anteriores já sugeriam que Marte havia passado por eras do gelo antes, mas ainda faltavam provas que mostrassem como ocorreram esses períodos. Com a ajuda de um instrumento a bordo da espaçonave Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), os pesquisadores conseguiram identificar as camadas de gelo que se formaram no polo norte marciano e determinar quando o material se solidificou na calota polar. As medições confirmaram as estimativas realizadas há mais de uma década com base em modelos teóricos e determinaram que as placas de gelo marciano atingem a espessura máxima de 320 metros. São 87 mil quilômetros cúbicos de gelo acumulado, o suficiente para formar uma casca uniforme de 60 centímetros em torno de toda a superfície do planeta.

A análise dos dados obtidos mostrou que o material congelado continua se acumulando na região, um sinal de que o planeta está se recuperando de um estado que pode ser classificado como uma era glacial. “Interpretando as camadas de gelo da calota polar usando os dados obtidos por radar, nós pudemos detectar um sinal claro de que a mudança do clima ocorreu. A calota saiu de um estado de erosão para um estado de deposição. Isso ocorreu de forma simultânea em toda ela; então, deve ter sido uma grande mudança”, descreve Isaac Smith, pesquisador do Southwest Research Institute (SWRI) e principal autor do estudo.

Inclinação alterada
O processo ocorre devido a uma dinâmica cíclica similar à que ocorre com a Terra, e que também fez o
Planeta Azul passar por eras glaciais no passado. Quando ocorre uma alteração na inclinação do eixo de rotação planetária, muda a quantidade de radiação que chega à superfície, influenciando também no clima. No caso da Terra, as altas latitudes ficam mais frias, causando a formação de geleiras em regiões que antes eram mais quentes.

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