Açúcar consumido por cérebro em coma pode indicar chances de recuperação

Ao medir a quantidade de açúcar consumida pelo cérebro lesionado, médicos poderão indicar as chances de um paciente retomar a consciência em um ano, indica grupo internacional de cientistas

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postado em 27/05/2016 08:10 / atualizado em 26/05/2016 23:13

Um dos maiores desafios para médicos que lidam com pacientes que sofreram graves traumatismos cranianos é diagnosticar e prever a recuperação da consciência. Mesmo quando os danos foram severos e, aparentemente, não há qualquer tipo de resposta a estímulos, algumas dessas pessoas se mantêm alertas em algum nível. Agora, pesquisadores das universidades de Copenhague, na Dinamarca, e de Yale, nos Estados Unidos, e de Liège, na Bélgica, afirmam, no jornal Current Biology, terem descoberto evidências de que é possível fazer um prognóstico rápido e preciso dessa condição. De acordo com eles, a quantidade de glicose consumida pelo cérebro prediz, diretamente, o nível atual de atenção e a probabilidade de recuperação da consciência de uma pessoa dentro de um ano.

“Em quase todos os casos, o volume energético total do cérebro previu, diretamente, o nível atual de consciência ou sua recuperação subsequente”, contou Ron Kupers, pesquisador de Copenhague e Yale. “Em resumo, nossa descoberta indica que há uma quantidade mínima de energia necessária para permitir que a consciência emerja após um dano cerebral”, disse. Na pesquisa, a equipe liderada por Kupers e Johan Stender pretendia desenvolver um marcador diagnóstico mais confiável para verificar os níveis de consciência do momento presente e do futuro a fim de complementar a rotina de exames clínicos em vítimas de lesões cerebrais.

Glicose radioativa
Para isso, quantificou e mapeou o metabolismo da glicose no cérebro de 131 pacientes, sendo que todos sofreram perda total ou parcial da consciência. Os cientistas mediram o metabolismo do açúcar usando o PET-FDG, uma técnica de imagem na qual a glicose marcada com um traço de molécula radioativa é injetada na corrente sanguínea. Dessa forma, é possível capturar e mapear o consumo de glicose em qualquer órgão de interesse — que, nesse caso, era o cérebro.

Os resultados mostraram que os níveis individuais de resposta comportamental dos pacientes estavam fortemente associados ao consumo geral de energia pelo cérebro. De fato, pacientes com metabolismo de glicose abaixo de 42% da atividade cortical normal pareciam completamente inscientes e não se recuperaram dentro de um ano, período em que foram acompanhados pelos cientistas. Por outro lado, todos aqueles com atividade metabólica no cérebro acima desse parâmetro mostraram sinais de alerta nos primeiros exames ou se recuperaram 12 meses depois.

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