Duplamente amigo do homem: domesticação do cão ocorreu 2 vezes na história

Outra conclusão é de que a aproximação entre as espécies se deu antes do estabelecimento da agricultura

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postado em 03/06/2016 06:00 / atualizado em 03/06/2016 09:22

Jean-Chistophe Verhaegen/AFP


Além de serem os primeiros animais domésticos da história, os cães foram os únicos a serem domados pelo homem antes do advento da agricultura, mostra um estudo publicado hoje na revista Science. Os cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, também indicam que o relacionamento especial entre homens e esses descendentes dos lobos não foi restrito a um único local e momento histórico, mas que, provavelmente, ocorreu na Ásia e Europa em períodos distintos, com os espécimes asiáticos, no fim, prevalecendo sobre os cães de linhagem europeia.

As investigações contaram com informações fornecidas por uma peça rara: o osso do ouvido de um cão de 4,8 mil anos, exumado de uma tumba em Newgrange, um sítio arqueológico irlandês contemporâneo a Stonehange. Além disso, a equipe liderada por Greger Larson investigou o DNA mitocondrial — herdado exclusivamente da mãe e conservado pelas gerações — de 59 cães que viveram entre 14 mil e 3 mil anos atrás. Os dados foram comparados com as assinaturas genéticas de 2,5 mil cachorros modernos.

Os pesquisadores descobriram que as versões domésticas dos lobos estavam presentes 12,5 mil anos atrás na Eurásia Ocidental (China, Kamchatka e leste da Sibéria) e há 15 mil anos na Eurásia Ocidental (Europa e Oriente Próximo). Como não se sabe ainda de nenhum fóssil de cão com mais de 8 mil anos na região intermediária da Eurásia Central, os dados levantam a possibilidade de que tenham existido duas populações distintas e isoladas de cães durante o Paleolítico.

“Então, sugerimos a seguinte hipótese: duas populações geneticamente diferenciadas e potencialmente extintas de lobo na Eurásia Oriental e Ocidental foram independentemente domesticadas antes do advento da agricultura. A população do leste se dispersou para o oeste em algum momento entre 6,4 mil e 14 mil anos atrás, na Europa Ocidental, onde parcialmente substituiu populações de cães indígenas do Paleolítico”, cogita Larson.

Mas, reconhece o autor-sênior do trabalho, os achados não descartam completamente a hipótese de uma única domesticação na Eurásia e disseminação, a partir de lá, durante as migrações humanas. “A domesticação de animais é uma coisa rara e muitas evidências são necessárias para vencer a suposição de que ela ocorreu apenas uma vez em qualquer espécie”, diz o pesquisador de Oxford. Mas ele ressalta: “O DNA ancestral, combinado com registros arqueológicos de cães primitivos, sugerem que precisamos reconsiderar o número de vezes que os cães foram domesticados independentemente”.

 

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