Traços essenciais da espécie humana surgiram após mudanças no ambiente

Atos como andar sobre duas pernas e trabalhar em grupo ocorreram devido a mudanças na paisagem da África, que gradualmente perdeu florestas e ganhou savanas

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postado em 07/06/2016 07:12

Kevin Krajick/Lamont-Doherty Earth Observatory


Estudos genéticos apontam que, cerca de 6 milhões de anos atrás, a linha evolutiva de homens e chimpanzés se separaram. A partir de então, uma sequência de ancestrais surgiu, cada um com novas características que foram, aos poucos, dando forma ao que seriam as pessoas e os macacos existentes atualmente. Dessa época em diante, os hominídeos — como são chamados os precursores do Homo sapiens — ganharam cérebros cada vez maiores, passaram a andar sobre duas pernas, se tornaram capazes de sobreviver com uma dieta bastante variada e se organizaram em estruturas sociais cada vez mais complexas, todos esses traços fundamentais para que o ser humano se tornasse o que é hoje.

O que possibilitou tais transformações? Há algum tempo, especialistas sustentam que um dos principais fatores foi a mudança de ambiente. Os antigos ancestrais humanos teriam deixado as florestas, onde viviam sobre árvores, e passado a habitar savanas, áreas de vegetação rasteira pontuadas por bolsões florestais e rios. Com isso, por exemplo, começaram a ter de transportar alimentos por distâncias maiores, usando os membros superiores para carregar a comida (o que seria a origem do bipedalismo), e a unir esforços para caçar animais ou se proteger de predadores (início da cultura).

Um estudo publicado ontem na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas) traz fortes evidências que reforçam essa hipótese. Os cientistas encontraram enterrados sob sedimentos marinhos resquícios de vegetação que permitem reconstituir as mudanças ambientais ocorridas milhões de anos atrás na região onde o homem surgiria, na África, há cerca de 200 mil anos. Liderado por Kevin Uno, aluno de pós-doutorado na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, o estudo conseguiu apresentar o mais completo quadro da evolução das plantas na área onde hoje ficam a Etiópia e o Quênia.

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Diversificação
Os dados sugerem fortemente que no local, entre 24 milhões e 10 milhões de anos atrás — portanto, muito antes de qualquer ancestral humano surgir —, os pastos eram raros e as florestas abundantes. Então, aparentemente devido a alterações climáticas, a vegetação rateira começou a ganhar terreno. Segundo as análises, essa tendência continuou durante toda a evolução humana, até que as savanas se tornassem predominantes alguns milhares de anos atrás. “Toda a evolução de nossa linhagem envolveu morar e trabalhar nas savanas, ou perto delas”, assegura Uno em um comunicado à imprensa. “O estudo nos fornece uma linha do tempo do desenvolvimento dessa vegetação e nos conta que ela foi parte de nossa evolução desde o começo”, completa.

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