Fluido na língua do camaleão é mil vezes mais aderente que a saliva humana

Quanto mais forte e rápido o animal projeta sua língua, mais considerável será a adesão

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postado em 22/06/2016 09:34

William West/AFP

Estudo publicado na edição desta semana da revista especializada Nature Physics acrescenta um novo item ao conjunto de características peculiares do camaleão. Além da capacidade de mudar de cor para se disfarçar no ambiente e de projetar a língua a distância e velocidade impressionantes, o animal tem uma saliva extremamente pegajosa, afirmam os autores.

O camaleão é um predador considerado “oportunista”, uma vez que não corre atrás dos insetos como outros lagartos. Ele fica à espreita, escondido com a ajuda de seu disfarce, que ora lhe dá aparência de pedra, ora de planta. Com a ajuda de olhos independentes — pode mirar dois pontos distintos ao mesmo tempo espera —, vasculha o ambiente à espera do momento certo para dar o bote com comprida língua, que alcança até duas vezes o comprimento do corpo e move-se a uma velocidade única, só alcançada pela salamandra.

Tanta habilidade, contudo, seria inútil se na língua do camaleão não houvesse um mecanismo que mantivesse a caça presa no logo caminho de volta para a boca. Durante muito tempo, pesquisadores se perguntaram se se tratava de um fenômeno de aspiração ou ligado à rugosidade da superfície da língua. Outra hipótese levantada era a da presença de uma ventosa muscular na ponta do órgão.

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O grupo de estudo liderado por Pascal Damman, da Universidade de Mons, na Bélgica, acredita ter desvendado o mistério ao desenvolver um dispositivo para medir a viscosidade da saliva e calcular o tamanho limite de suas presas graças a um modelo. O resultado foi conclusivo: a aderência viscosa é suficientemente poderosa para explicar como o camaleão “gruda” a língua em insetos de até um terço do próprio peso.

“Tivemos a surpresa de constatar que a viscosidade desse fluido é muito grande, quase mil vezes superior à da saliva (humana) e próxima à do muco utilizado pelos caracóis para se deslocarem”, afirma Damman. Quanto mais forte e rápido o animal projeta sua língua, mais considerável será a adesão. Quando a presa chegar à boca, as forças que ajudaram a provocar sua aderência deixam de ser exercidas, permitindo ao camaleão deglutir os insetos sem morder a língua.
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