Frequentes ações humanas reduzem a biodiversidade das florestas brasileiras

Estudo mostra que não é só o desmatamento que ameaça a floresta brasileira. Frequentes ações humanas - como a caça, as queimadas e a extração controlada de madeira - também podem reduzir drasticamente a biodiversidade do bioma tropical

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postado em 30/06/2016 07:12 / atualizado em 30/06/2016 13:33

Alexander Lees/Divulgação


A melhor maneira de proteger a Amazônia e outras florestas tropicais é impedir seu desmatamento. Por isso, a maior parte das ações de preservação consiste em evitar que mais áreas verdes sejam transformadas em pastos ou plantações. No entanto, uma série de outras intervenções humanas dentro das matas pode ter um efeito tão devastador quanto a derrubada de porções inteiras de vegetação, alerta um amplo estudo publicado na edição de hoje da revista especializada Nature.

Coordenada por Jos Barlow, a pesquisa é assinada por 29 especialistas de 18 instituições de pesquisa, várias delas brasileiras, e reúne dados coletados nas regiões de Paragominas e Santarém, no Pará, estado que abriga 25% da Floresta Amazônica. Durante anos, observou-se o impacto que atividades como caça, extração seletiva de madeira e queimadas geram sobre 1.538 espécies de plantas, 460 de pássaros e 156 de insetos. A conclusão é que, somadas, essas perturbações geraram, desde 1988, um prejuízo ambiental equivalente ao desmatamento de uma área entre 92 mil e 139 mil quilômetros quadrados.

“Nós fornecemos uma evidência contundente de que as iniciativas de conservação das florestas tropicais devem levar em conta tanto o desflorestamento quanto as perturbações no interior das florestas”, afirma Jos Barlow em um comunicado. “Sem uma ação urgente, a expansão da extração de madeira e a ocorrência de queimadas estimuladas pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem devem tornar as florestas cada vez mais degradadas, conservando apenas uma fração da maravilhosa diversidade que um dia abrigaram”, completou o principal autor, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e do Museu Paraense Emílio Goeldi e da Universidade Federal de Lavras (Ufla).

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Um dos autores do trabalho, Adriano Venturieri, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, explica que as ações analisadas no estudo não são necessariamente ilegais. Foram consideradas, por exemplo, as extrações seletivas de madeira em áreas onde esse manejo é permitido e queimadas acidentais. “O país já é referência no combate ao desmatamento. Esse estudo traz uma contribuição muito grande para o governo brasileiro, para que ele esteja atento também a esses outros fatores”, diz ao Correio.

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