Especialistas apontam falhas no sistema de prevenção contra a pneumonia

A falta de conhecimento sobre a existência de vacinas

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postado em 02/07/2016 06:00 / atualizado em 02/07/2016 09:15

US Centers for Disease ControlPrevention/Divulgação

Belo Horizonte —
A queda da temperatura favorece a transmissão de importantes doenças infectocontagiosas. Ao contrário da gripe, em que a vacinação é altamente difundida como forma de prevenção, quase metade dos brasileiros com mais de 50 anos (49%) não sabe que a pneumonia pneumocócica, de origem bacteriana, pode ser evitada da mesma forma. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,6 milhão de pessoas morre de pneumonia por ano no mundo. No Brasil, a enfermidade — somadas todas as causas: viral, bacteriana e fúngica — é a segunda doença respiratória mais comum.

A pneumonia é uma infecção que afeta os pulmões e tem como sintomas característicos tosse, febre e dificuldade de respirar. Crianças, idosos e pessoas com diabetes mellitus, doenças cardíacas e pulmonares, entre outras doenças crônicas, são mais vulneráveis a esse tipo de complicação. A transmissão da bactéria pneumococo se dá de pessoa para pessoa por contato direto com secreções respiratórias, como saliva e muco. Lavar as mãos regularmente e desinfetar superfícies potencialmente contaminadas ajudam a prevenir a doença. Mas a vacina é a forma mais eficaz e segura para evitá-la.

A complicação respiratória representa uma ameaça à saúde, principalmente aos grupos que estão nos extremos da vida. Enquanto meninos e meninas abaixo dos 2 anos não têm o sistema imunológico totalmente desenvolvido, nos idosos e nas idosas, as defesas do organismo começam a se enfraquecer. Mestra em imunologia celular pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e especialista em patologia clínica, Paula Távora afirma que, de cada 10 casos de gripe, quatro demandam hospitalização e podem evoluir para a pneumonia. “As doenças pneumocócicas invasivas são responsáveis por 50% de todas as internações que temos no período outono-inverno”, ressalta.

A especialista explica que a pneumonia invasiva é aquela que desce dos brônquios para o tecido pulmonar. A não invasiva desce para a traqueia, e o paciente desenvolve rinite, sinusite ou bronquite. Como a associação entre o vírus da gripe e a bactéria pneumococo é comum, o ideal seria que os idosos recebessem não apenas a vacina da gripe, mas também a pneumocócica. No entanto, a imunização dessa faixa etária não está contemplada no Programa Nacional de Imunização (PNI).

O PNI oferece a vacina pneumocócica 10 valente a bebês de 2 a 4 meses de idade e um reforço com um ano de vida. Já a pneumocócica 23 é oferecida para idosos acima de 60 anos, mas apenas para os que vivem em instituições fechadas, como casas geriátricas, hospitais, asilos e casas de repouso. A dose de reforço é ministrada cinco anos depois. Além dessas duas situações, pacientes com condições clínicas especiais têm direito à vacina pela rede pública, com doses disponíveis nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie). Nesses locais, a pneumocócica 10 valente é aplicada em criança de 2 meses até 5 anos e a pneumocócica 23, a partir dos 5 anos.

O calendário da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) recomenda a vacina pneumocócica 13 valente e 23 valente para todas as pessoas acima dos 60 anos. “Entre 50 e 60, fica a critério do médico recomendar ou não a vacinação e, na faixa etária entre os 5 e 50 anos, a pneumonia não é tão grave quanto nos extremos da vida. Quem morre de pneumonia são idosos e doentes crônicos e, infelizmente, a saúde pública ainda não oferece a vacina contra a pneumonia para os maiores 60 anos”, afirma a presidente da entidade, Isabella Ballalai.

A orientação da SBIm de vacinação de rotina para os idosos é iniciar a imunização com a 13 valente (dose única). Entre seis e 12 meses depois, deve-se tomar uma 23 valente e, cinco anos depois, repetir a dose. Disponíveis na rede privada, a pneumo 23 tem preço médio de R$ 100 e a pneumo 13, R$ 250. “É importante lembrar também que a vacina não protege apenas contra a pneumonia, mas também contra meningite, sepse e otite. A bactéria pneumococo causa várias doenças além da pneumonia”, salienta Ballalai.

 

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