Em 20 anos, número de mestres e doutores no Brasil subiu de 379% para 486%

Proporcionalmente, contudo, total de pós-graduados fica aquém do da maioria dos países da OCDE

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 06/07/2016 06:00 / atualizado em 06/07/2016 07:41

Nas duas últimas décadas, o Brasil deu um gigantesco salto na área do conhecimento. Estudo conduzido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e lançado ontem na 68ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Porto Seguro (BA), mostra que, entre 1996 e 2014, o total de programas de mestrado e doutorado no país cresceu 205% e 210%, respectivamente. A maior oferta de cursos significou uma elevação ainda maior no número de títulos concedidos nessas categorias: em 2014, a quantidade de pessoas que se tornaram mestres e doutores foi 379% e 486% mais alta do que em 1996.

Para Mariano Laplane, presidente do CGEE, um resultado tão positivo pode ser explicado pelo fato de a educação ser um dos poucos temas cuja importância é consenso no Brasil, independentemente de posicionamento político. Essa percepção, avalia, permitiu um esforço continuado para o fortalecimento do sistema de pós-graduação. “Nós tivemos políticas consistentes de investimento — de recursos, de energia e de pessoas dedicadas a isso com muito afinco. Apesar das idas e vindas, de mudanças de governo, de momentos bons e ruins da economia, de mudanças de ministros, nós tivemos um esforço concentrado e continuado que é muito bom”, afirma ao Correio.

De fato, os gráficos presentes no estudo mostram que o crescimento desse sistema foi constante, com raríssimos momentos em que o número de mestres e doutores formados foi menor que no ano anterior. De maneira geral, desde 1996, o país concedeu mais e mais diplomas de pós-graduação, saltando de 10.482 títulos de mestrado e 2.854 de doutorado para 50.206 e 16.729, respectivamente, dois anos atrás.

Leia mais notícias em Ciência & Saúde

Houve, no entanto, um período de expansão mais acelerada a partir dos anos 2000, com uma diminuição desse ritmo nos últimos três anos. Para Laplane, no entanto, esse é um movimento natural de um sistema em formação e amadurecimento. “Estamos falando de um sistema que tem escala gigantesca, porque um país do tamanho do Brasil pede um. Ele começou muito concentrado na região Sudeste e alguma presença no Sul. Depois de um crescimento mais acelerado, expandiu-se para outros estados e, agora, vem se acomodando, porque chegamos a uma escala razoável.”

A fala do presidente toca outro ponto de destaque do estudo, que é a desconcentração da pós-graduação brasileira. Enquanto em 1996, São Paulo e Rio de Janeiro foram responsáveis por 58,8% dos títulos de mestrado e 83,4% dos de doutorado, em 2014, esses estados responderam, em conjunto, por 36,6% dos mestres e 49,5% dos doutores formados no país. Para Sofia Daher, coordenadora da pesquisa ao lado de Eduardo Viotti, esse dado está relacionado com a abertura de novas instituições. “Isso decorre da criação de universidades e campi que alcançam áreas que antes eram menos atendidas pelo sistema de pós-graduação”, diz a assessora técnica do CGEE.

Para Laplane, o esperado agora é que a pós-graduação continue crescendo, mas de forma mais ajustada às diferentes realidades regionais. “Talvez, nos próximos 10 anos, o sistema passe por uma etapa de relativa maturidade, com uma expansão mais seletiva. Provavelmente, continuaremos a crescer muito mais nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e menos no Sul e no Sudeste. E talvez não vejamos um crescimento em todas as áreas de conhecimento, mas especialmente naquelas mais estratégicas para as necessidades da população.”
 
A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.