Mistura de maconha com tabaco agrava a dependência de usuários

Pessoas que mesclam as duas substâncias têm mais dificuldade de procurar ajuda médica para largar os vícios, indica estudo feito com 33.687 voluntários de 18 países, incluindo brasileiros

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postado em 06/07/2016 06:05 / atualizado em 06/07/2016 07:38

Peter Dejong/AFP - 25/6/08
 
 
Tabaco e maconha são as duas drogas mais comuns no mundo: 3,5% dos adultos fazem uso da erva e 22,6% são tabagistas. Buscando economizar e potencializar a eficiência da inalação da cannabis, muitos usuários a misturam com o cigarro tradicional, sobretudo na Europa. Pouco se sabe sobre os efeitos da mistura, mas um consórcio de cientistas reuniu evidências que servem no mínimo de alerta para os adeptos da combinação: a mescla das substâncias agrava a dependência, especialmente a psicológica, dificultando a capacidade do dependente de se livrar dos dois vícios.

“A maconha é menos viciante, mas nós mostramos que a mistura com o cigarro diminui a motivação do usuário em parar de usar outras substâncias”, diz Chandni Hindocha, principal autor e pesquisador da University College London, no Reino Unido. A equipe analisou as respostas de 70.997 pessoas que  responderem à Pesquisa Global de Drogas 2014, um levantamento on-line anônimo conduzido anualmente por veículos de mídia internacional, como The Guardian e Huffington Post. Foram consideradas apenas as respostas de 33.687 indivíduos que relataram ter usado maconha até 12 meses antes do levantamento.

Os participantes eram de 18 países da Europa, da Australásia e das américas do Norte e Sul, entre eles o Brasil.Publicados na Frontiers in Psychiatry, os resultados mostram que a forma como as pessoas usam a maconha varia entre as nações, com baseados — cigarros enrolados em papel de seda pelo próprio usuário — e cachimbos prevalecendo na Europa. Nas américas, segundo o estudo, essas vias são menos populares. A preferência por baseados sem tabaco é quase uma unanimidade entre os brasileiros (80,8%), enquanto cachimbo e bong sem tabaco parecem mais comuns no México, nos Estados Unidos e no Canadá.

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Nos dois últimos países, vaporizadores são a via preferida de consumo. “Eles são menos danosos que a cannabis fumada, com ou sem tabaco. Há redução de problemas respiratórios e podem ser um preditor de consumo reduzido de tabaco entre usuários desses países. Inclusive, quem opta pelo vaporizador relatou fumar menos tabaco mensalmente em comparação aos adeptos de outras vias”, conta Hindocha.

Em todas as nações pesquisadas, os usuários que consumem a maconha sem o tabaco utilizam mais quantidade da erva, enquanto aqueles que mesclam relatam fumar mais cigarros durante o mês, tendo, inclusive, iniciado o hábito mais cedo. Eles também relatam mais impactos negativos na saúde. “Poucos estudos avaliam os efeitos das vias de administração da maconha, mas, recentemente, um mostrou que o uso da cannabis pura, que equivale ao sem tabaco do nosso estudo, indicou um hábito menos problemático (do que a mesclada)”, diz o autor. O uso concomitante das duas substâncias está relacionado a tentativas frustradas de cessar os vícios, além de potencializar danos aos pulmões. “O tabagismo aumenta o risco de malignidade e pode, independentemente, ser associado com um risco aumentado de psicose”, complementa Hindocha.
 
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