A angústia das soropositivas: o sofrimento com o estigma antecipado

Estudo mostra que as brasileiras são as que mais temem os prejuízos sociais caso revelem a infecção pelo HIV. O medo faz com elas abandonem o tratamento, evitem relações amorosas e fiquem mais suscetíveis às drogas

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postado em 10/07/2016 08:10



Quantas soropositivas você conhece? Embora a infecção pelo HIV não distinga gênero, a maioria das pessoas tem dificuldade de recordar rosto e nome de infectadas. Não porque o diagnóstico seja raro: dos 93.260 casos registrados no Brasil entre 2007 e 2015, 33,5% são de mulheres, segundo o Ministério da Saúde. Com participação do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), um consórcio de cientistas mostra que, entre as brasileiras, o peso do diagnóstico é grande. Mais do que tailandesas e zambianas, elas sofrem antecipadamente com o julgamento da sociedade e escondem sua condição.

O levantamento, detalhado na revista Plos One, integra a HPTN 063, pesquisa internacional que investiga comportamentos para projetar intervenções que diminuam condutas de risco entre soropositivos. No Brasil, agentes entrevistaram 99 mulheres heterossexuais — foram 100 na Tailândia e 100 no Zâmbia. As participantes tinham em média 38 anos e não eram trabalhadoras do sexo. A infectologista e epidemiologista Ruth Khalili Friedman, da Universidade da Califórnia (EUA) e da Fiocruz, supervisionou o trabalho.

As perguntas abordavam, por exemplo, com que intensidade as entrevistadas achavam que pessoas próximas condenavam mulheres com HIV. O estigma antecipado — medo das consequências da revelação do diagnóstico — preocupa 40,9% das participantes, sendo o sentimento mais intenso entre as brasileiras (62,2%), seguidas das tailandesas (38%) e das zambianas (23%). É possível que a menor percepção das zambianas seja devido à natureza generalizada da epidemia de HIV no país africano.

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