Cientistas explicam por que é tão difícil resistir a petiscos e guloseimas

Investigações buscam as respostas em vários fatores, de circuitos cerebrais à educação que os pais dão aos filhos

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postado em 13/07/2016 06:00 / atualizado em 13/07/2016 07:59

Cristiano Gomes/CB/DA Press


Inúmeros problemas de saúde surgem devido a uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Em poucos, no entanto, essa confluência de causas fica tão evidente quanto na obesidade. Se alguns estudos indicam que certas pessoas têm maior predisposição a ganhar peso, outros mostram que essa tendência só se confirma se os hábitos alimentares são ruins. Esses, por sua vez, costumam se formar em dinâmicas familiares nas quais se dedica pouco tempo ensinando a criança sobre quais produtos são saudáveis e quais devem ser evitados.

Torna-se, assim, impossível apontar uma só origem para esse mal, que, segundo projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), daqui a 10 anos afetará 10% da população mundial, ou 700 milhões de pessoas — sem contar aquelas com sobrepeso, que representarão um contingente de 2,3 bilhões. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, 50% dos cidadãos estão acima do índice de massa corporal ideal.

Por isso, na busca por compreender a obesidade e encontrar as formas mais eficazes de combatê-la, especialistas tentam as mais diferentes abordagens, como fica claro no conjunto de estudos apresentados no encontro anual da Sociedade para Estudos sobre o Comportamento Ingestivo (SSIB, na sigla em inglês), que ocorre esta semana em Porto (Portugal).

O Correio separou alguns dos trabalhos expostos na reunião e os apresenta para você a seguir.

Água pode ajudar?
Você provavelmente ouviu de algum especialista que é melhor evitar tomar grandes quantidades de líquido durante as refeições, pois atrapalha a digestão e provoca maior distensão do estômago, o que pode fazer com que a vontade de comer mais cresça. No entanto, um estudo liderado por Guido Camps, da Wageningen University, na Holanda, sugere que adicionar um copo grande de água aumenta a saciedade e ajuda a pessoa a comer menos. O especialista, contudo, esclarece ao Correio que o estudo é inicial e integra um projeto mais amplo que busca estratégias que ajudem as pessoas a comer de forma melhor.

Problema de memória
Estudos anteriores com animais tinham encontrado evidências de que a dieta ocidental — rica em gordura e açúcar e pobre em frutas, vegetais e fibras — prejudica a capacidade do cérebro de inibir memórias que não são mais úteis, função que cabe a uma região chamada hipocampo. Essa descoberta levou à hipótese de que uma alimentação pouco saudável estimula a comilança porque impediria o cérebro de inibir lembranças relacionadas à comida a partir do momento em que a pessoa estivesse satisfeita. Assim, mesmo com o estômago cheio, o indivíduo se sentiria tentado a atacar uma guloseima exposta em uma vitrine porque a memória de que aquilo lhe causa prazer continuaria existindo.

Diferença entre gêneros
Em momentos de estresse, tanto mulheres quanto homens recorrem a alimentos doces ou gordurosos, que, nessas ocasiões, recebem o nome de comida de conforto (do inglês, comfort food). Agora, um estudo com ratos indica que os mecanismos cerebrais por trás do fenômeno muda de acordo com o gênero e que, no caso das mulheres, o ciclo menstrual pode desempenhar um importante papel.

Cuidado com o lanche
Em uma pesquisa que buscou examinar como os pais contribuem para o hábito dos filhos de petiscar constantemente, cientistas da Universidade de Michigan e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Temple, ambas nos EUA, identificaram que crianças cujos responsáveis não controlam com afinco o que elas comem acabam ingerindo 40% de todo o açúcar que consomem por meio de guloseimas como sobremesas, refrigerantes e salgadinhos.

Como resistir?
A dieta vai bem até que, na hora de pagar o almoço no self-service, você se depara com seu chocolate preferido exposto no balcão ao lado do caixa. Buscar uma maneira de ajudá-lo a resistir a essa tentação foi o principal objetivo de um time da Universidade de Illinois em Chicago (EUA). O grupo levou ao encontro em Portugal um estudo no qual investigaram, em ratos, os mecanismos cerebrais por trás de comportamentos ativos (apertar uma alavanca para ganhar bolinhas de açúcar) e de evitação (quando os animais recebiam um sinal de eles deveriam parar de pedir mais doces).

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