Efeito do adoçante no cérebro causa mais fome, dizem cientistas

Quando uma pessoa ingere alimentos adoçados artificialmente, o cérebro reconhece o doce, mas sente falta das calorias atreladas a esse sabor

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postado em 13/07/2016 07:51

Monique Renne/CB/D.A Press - 19/12/05
Prescritos para evitar a obesidade, os adoçantes têm entrado na berlinda pelo efeito contrário: estudos recentes com animais e seres humanos mostram que os açúcares artificiais levam à maior sensação de fome e, consequentemente, à maior ingestão de alimentos e bebidas. Cientistas da Universidade de Sydney e do Garvan Institute of Medical Research, ambos na Austrália, conseguiram identificar o que está por trás dessa adversidade. Em estudo inédito, eles mostraram que essas substâncias interferem nos mecanismos cerebrais ligados à saciedade e à recompensa.

Quando uma pessoa ingere alimentos adoçados artificialmente, o cérebro reconhece o doce, mas sente falta das calorias atreladas a esse sabor. Como não as recebe, envia impulsos nervosos ao corpo informando que continua faminto. “Por meio de investigação sistemática, verificamos que, dentro dos centros de recompensa do cérebro, o doce é uma sensação integrada com o conteúdo de energia. Quando doçura versus energia está fora de equilíbrio por um período de tempo, o cérebro se recalibra e aumenta o consumo calórico total consumido”, explica Greg Neely, professor da Universidade de Sydney e um dos autores do estudo, publicado ontem na revista Cell Metabolism.

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Nos experimentos, os estudiosos utilizaram a sucralose, mas ressaltaram que o mesmo efeito é detectado em outros produtos do gênero. A primeira parte da pesquisa foi feita com moscas de fruta, que foram expostas a uma dieta com o adoçante por mais de cinco dias. Os insetos passaram a consumir 30% a mais de calorias por conta da alimentação imposta. Para testar os efeitos nos mamíferos, os testes foram reproduzidos em ratos, que consumiram alimentos com sucralose durante sete dias.

Insônia
Segundo o artigo, os roedores, “apresentaram um aumento significativo no consumo de alimentos, e a via neuronal envolvida nesse processo foi a mesma detectada nas moscas da fruta”. Os pesquisadores também detectaram que a sucralose causou hiperatividade, insônia e diminuição da qualidade do sono nas cobaias. Esses comportamentos são fortemente relacionados à fome leve ou ao estado de jejum.

“Esses resultados reforçam a ideia de que variedades de comidas e bebidas processadas sem açúcar podem não ser tão inertes como o esperado. Os adoçantes artificiais podem realmente mudar a forma como os animais percebem a doçura dos alimentos, com uma discrepância entre os níveis de doçura e de energia que levam ao aumento do consumo calórico”, diz Herbert Herzog, participante do estudo e professor do Garvan Institute.
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