Especialistas dizem que epidemia do zika acabará em três anos

Britânicos chegaram à previsão após analisar o avanço do vírus na América Latina. Segundo eles, a imunidade desenvolvida em tantas pessoas infectadas vai frear o micro-organismo. Um novo surto de grandes proporções poderá surgir pelo menos 10 anos depois

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postado em 15/07/2016 06:00

A atual epidemia do zika está chegando ao ápice e deve acabar, por si só, até 2019. Depois que sair dos holofotes, o vírus demorará pelo menos uma década para voltar a preocupar os humanos. As previsões são resultado de um trabalho britânico baseado em cálculos e pesquisas sobre o avanço do micro-organismo na América Latina divulgado na edição de hoje da revista Science. Segundo os autores, a imunidade provocada por pessoas infectadas retardará o surgimento em massa da doença, o que não exclui a possibilidade de pequenos surtos. Na mesma publicação científica, especialistas norte-americanos discutem estratégias para que a doença seja completamente exterminada e suíços detalham como um anticorpo pode ser usado como alternativa de imunização.

No primeiro experimento, os cientistas compararam a forma de transmissão do zika na América Latina com a de um vírus semelhante a ele: o da dengue. As análises ajudaram na construção de um modelo matemático que representasse fielmente o avanço atual do patógeno. “Esse estudo utiliza todos os dados disponíveis para fornecer uma compreensão de como a doença vai se desenrolar e nos permite avaliar a ameaça no futuro iminente”, explicou, em comunicado à imprensa, Neil Fergurson, pesquisador da Escola de Saúde Pública do Imperial London College e um dos autores do estudo.

A equipe também usou como base de pesquisa o fenômeno chamado imunidade de rebanho, que leva em conta o tempo em que pessoas infectadas estão protegidas após terem se curado da doença. “Como o vírus é incapaz de contaminar a mesma pessoa duas vezes —  graças ao sistema imunológico que gera anticorpos para matá-lo —, a epidemia chega a um estágio em que poucos podem ser infectados”, detalhou Fergurson.

A expectativa é de que esse fenômeno ocorra em três anos e que pelo menos mais 10 sejam necessários para que o vírus ressurja com força. “Usando nosso modelo, podemos prever que a transmissão em larga escala não reiniciará por pelo menos mais 10 anos, até que haja uma nova geração que não tenha sido exposta ao zika. Isso reflete outras epidemias, como a febre chicungunha, onde vimos cenários explosivos seguidos de longos períodos com poucos registros de novos casos”, ressaltou o autor.

Testes em risco


O intervalo do zika, defendem os autores, é o momento de pensar em estratégias que possam proteger a população permanentemente. Mas, antes dele, há que se correr contra o tempo para não prejudicar pesquisas focadas no desenvolvimento de vacinas. “Se nossas projeções estiverem corretas, os casos terão caído substancialmente até o fim do próximo ano, se não for mais cedo. Até o momento, não temos vacinas prontas para serem testadas e podem não haver casos suficientes na comunidade para avaliarmos se elas funcionam”, alertou Fergurson. Uma solução, sugere o pesquisador, seria a aprovação prévia para que centros de saúde pudessem testar a vacina assim que um surto fosse registrado.

Dirceu Greco, infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita que as imunizações estão próximas de virar realidade. “O Instituto Butantan tem trabalhado em uma vacina. A dificuldade tem sido encontrar uma fórmula que possa ser usada em massa e, principalmente, que faça efeito em mulheres em idade reprodutiva e em situação de reprodução, devido aos riscos de microcefalia causados pelo zika. Assim como frisaram os autores do estudo, essa pode ser uma das melhores soluções para o combate dessa doença”, opinou.

 

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