Reposição hormonal não afeta a memória, dizem cientistas

O experimento mostrou que o tratamento para a menopausa até interfere nas funções cognitivas, mas sem prejuízos ou benefícios significativos

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postado em 21/07/2016 06:05 / atualizado em 21/07/2016 10:41

Valdo Virgo/CB/DA Press
 

 

Fase final da vida reprodutiva da mulher, a menopausa é um período cercado de polêmicas. Questões relacionadas à reposição hormonal são as que mais levantam dúvidas em congressos científicos e consultórios médicos. Uma delas diz respeito às funções cognitivas. Enquanto alguns trabalhos sustentam que o estrógeno — hormônio sexual feminino — pode melhorar a memória, outros sugerem o contrário: a substância teria potencial de danificar cérebro. Agora, pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, acreditam ter resolvido o imbróglio. Eles fizeram o maior estudo até o momento, envolvendo 567 mulheres de 41 a 84 anos, acompanhadas durante cinco anos. O resultado: o hormônio não afeta a memória nem para o bem nem para o mal, sustentam os autores.

De fato, o estrógeno tem múltiplos efeitos sobre a função cerebral, explica o líder do estudo, Victor Henderson, professor de pesquisas de saúde e ciências neurológicas da instituição. “Alguns, mas não todos, desses efeitos são mediados por receptores específicos, encontrados em células nervosas de diferentes regiões do cérebro, que incluem o hipocampo, o córtex e os núcleos de base”, afirma o também diretor do Centro de Pesquisa da Doença de Alzheimer de Stanford. Todas essas estruturas estão implicadas, de alguma forma, com a memória. Da mesma maneira, o estrógeno age sobre o sistema vascular e o imunológico.

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Durante a fase reprodutiva, o corpo produz o estrógeno normalmente. Na menopausa, quando a mulher apresenta sintomas como ondas de calor, sudorese noturna e dificuldade para dormir, entre outros, o médico pode receitar a reposição do hormônio. Cerca de 30% sofrem desses problemas. O presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), César Eduardo Fernandes, ressalta que a terapia só é indicada para essas pessoas. “Caso contrário, é como receitar antibiótico para quem não tem infecção”, ilustra.

Alguns pesquisadores acreditam que o estradiol pode melhorar a memória e o raciocínio nas pacientes que começam a tomá-lo imediatamente após o início da menopausa. Da mesma forma, há os que dizem que a reposição tardia pode levar a um efeito contrário. Certos estudos chegaram a associar a terapia hormonal ao risco aumentado de desenvolvimento de Alzheimer. Segundo Fernandes, estudos com ratos mostram que fêmeas castradas, ao serem sacrificadas, exibem conexões neuronais muito menos densas.

 

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