Especialistas se reúnem na África do Sul para discutir enfrentamento do HIV

O tratamento profilático, prestes a ser implantado no Brasil, é um deles

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postado em 24/07/2016 07:55

Rogan Ward/Divulgação

Mais de três décadas depois da descoberta do HIV, 36,7 milhões de pessoas estão infectadas em todo o mundo, com previsão de 2,1 milhões de novos casos neste ano e 1,1 milhão de mortes associadas à Aids. Para discutir os principais desafios no enfrentamento da síndrome, formuladores de políticas públicas, ativistas, pacientes e cientistas estiveram reunidos em Durban, na África do Sul, ao longo da semana, na 21ª Conferência Internacional de Aids. O evento bianual teve como tema desta edição a equidade nos direitos e contou com a presença de artistas e celebridades, como o cantor Elton John e o príncipe Harry, para ajudar a popularizar o debate.

Inclusão foi a palavra de ordem dos cinco dias de encontro de uma conferência mais política do que propriamente científica. Reduzir os preços dos preservativos femininos; financiar programas de prevenção para o público LGBT; ouvir mais os jovens; discutir, sem preconceitos, estratégias voltadas aos profissionais do sexo; e garantir tratamento adequado a todos os soropositivos foram algumas das necessidades expostas pelos 18 mil delegados do mundo todo, incluindo o Brasil.

“Estamos aqui por causa da urgência no trabalho a ser feito, porque ainda há mortes por Aids na ordem de milhões, porque menos da metade de nossos irmãos e das nossas irmãs vivendo com HIV estão sendo tratados e porque novas infecções se mantêm estáveis na maior parte dos lugares e aumentam em outros. Estamos aqui porque é muito cedo para declarar a vitória humana sobre o HIV”, discursou Chris Beyrer, presidente da Sociedade Internacional de Aids, que também dirigiu o evento em Durban.

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Entre as estratégias preventivas, uma das mais discutidas foi a profilaxia pré-exposição (PrEP), que será incorporada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda neste ano. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o medicamento reduz em até 92% o risco de contaminação e é indicado para pessoas não infectadas, mas em risco aumentado. Em Durban, o Ministério da Saúde anunciou que 10 mil indivíduos devem receber o tratamento profilático inicialmente. “O remédio deverá ser ofertado em serviços especializados do SUS para populações com risco acrescido, como travestis, homens que fazem sexo com homens, transexuais e profissionais do sexo”, disse, em nota.

Na avaliação de Chris Beyrer, agora, é “realmente a hora de começar a era de acesso à PrEP”. Ela lembrou que já há evidência científica suficiente para suportar essa terapia. “Mas uma série de questões sobre as melhores formas de implementá-la continuam, incluindo a quem oferecer, onde fornecê-la e como estimular a demanda”, ressaltou. Em resposta, a OMS afirmou que, em breve, lançará um documento para guiar as decisões de governos e médicos. Contudo, antes mesmo de publicá-lo, a agência de saúde das Nações Unidas já sugere que “pessoas em risco substancial de contaminação” devem receber a profilaxia, especialmente em locais em que a taxa de novas infecções por HIV é igual ou maior que 3% ao ano, caso de muitos países africanos e alguns asiáticos.

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