Técnicas de transgenitalização aumentaram 33 vezes no Brasil em sete anos

Segundo especialistas, o procedimento de criação da genitália feminina é o que tem apresentado os melhores resultados

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postado em 25/07/2016 06:00

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Belo Horizonte —
Impasses em planos nacionais e municipais de educação, com bancadas conservadoras defendendo a ideia de ideologia de gênero, desconsidera o que a ciência vem mostrando: ser transexual não é escolha. O debate ganha espaço em filmes e fóruns, dando voz a quem sempre foi marginalizado e sofre, inclusive, os impactos à saúde dessa condição. São pessoas com identidade de gênero diferente do sexo com que nasceram e que podem manifestar, ou não, o desejo de adequar os seus atributos físicos de nascença, como os genitais, à identidade de gênero constituída. Técnicas cirúrgicas de transgenitalização ou redesignação genérica ou sexual avançam nos últimos anos, sendo a transformação da genitália masculina em feminina a mais disseminada e de melhor resultado.

Para fazer a estrutura de uma vagina, usa-se o pênis. Já para construir um pênis, precisa-se estimular o clitóris, um procedimento mais delicado. De acordo com José Cesário da Silva Almada Lima, professor e coordenador de cirurgia plástica do Hospital Universitário Ciências Médicas (HUCM-MG), o resultado da cirurgia que constrói o pênis não é tão satisfatório quanto o do procedimento contrário. Os procedimentos também chamados de mudança de sexo são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2008. No primeiro ano, foram feitos 101 procedimentos. No ano passado, 3.440, ou seja, aumentou 33 vezes.

Cesário explica que, no caso do sexo biológico feminino, são retirados útero, ovários e anexos, o que exige dois ou três tempos cirúrgicos, já que há casos em que, se não removidas previamente, as mamas também entram na cirurgia. “Em Nice, na França, é usado um procedimento que retira um retalho da pele do braço para construir o pênis. Esse método está tão desenvolvido por lá que a cirurgia é capaz, inclusive, de criar conexões nervosas para o paciente ter ereção”, conta o médico, que fez 56 operações de redesignação, sendo três em pacientes nascidos com o sexo feminino e o restante em situação contrária. “É uma cirurgia mais disseminada e as técnicas estão evoluindo muito”, compara.

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Para a construção do pênis, o paciente precisa tomar testosterona diariamente, o que deixa a voz mais grave, interrompe a menstruação, dá ganho de massa muscular e pode provocar a calvície, embora aumente o crescimento de pelos. Outra técnica visa o desenvolvimento do clitóris, que tem a mesma origem embrionária do pênis, embora um cresça e o outro não. Quando o clitóris alcança 6cm, ele é retirado do púbis para ser reimplantado e ter autonomia de movimento. A uretra é aumentada usando tecido da antiga vagina. Os testículos são formados com o tecido dos grandes lábios vaginais, no qual são colocadas duas próteses esféricas de silicone.

No caso inverso, tira-se apenas o testículo extirpado para que não haja risco de câncer no futuro. Todas as demais estruturas são aproveitadas para dar forma à vagina. “Fazemos um esvaziamento do cilindro peniano, dos corpos cavernosos e esponjoso, que viram a uretra. Fazemos uma inversão, como se virássemos o pênis ao avesso, criando um canal entre o reto e próstata. Esse se torna o canal vaginal. Em seguida, posicionamos os dois corpos cavernosos que ladeiam a neovagina, simulando o grande lábio. Exteriorizamos a uretra e cortamos o excesso para fazer o novo orifício. Com a pele da bolsa escrotal é feita a vulva. É preciso que a paciente use um molde por seis meses para que não ocorra o fechamento do canal”, detalha Cesário.

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