Cientistas criam dispositivo que dispensa uso de óculos em tecnologia 3D

O protótipo, batizado de Cinema 3D, usa um conjunto especial de lentes e espelhos para que os espectadores consigam ver as imagens tridimensionais de qualquer lugar da sala

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postado em 26/07/2016 06:05

Soe Zeya Tun /Reuters
 

 

Sucesso absoluto nas salas de cinema, a tecnologia 3D faz os espectadores imergirem em novos mundos e permite que vejam lugares e coisas que, de outra forma, seria impossível. Contudo, há algo por trás dessa experiência que é unanimemente desagradável: os óculos. Além de desconfortáveis e esquisitos, sempre existe o risco de transmitirem doenças infecciosas. Agora, uma equipe do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciências da Computação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (Csail/MIT) e do Instituto de Ciência Weizmann, de Israel, demonstrou um dispositivo que dispensa o uso do equipamento.

O protótipo, batizado de Cinema 3D, usa um conjunto especial de lentes e espelhos para que os espectadores consigam ver as imagens tridimensionais de qualquer lugar da sala. “Abordagens existentes que dispensam o uso dos óculos requerem telas com resolução tão enormes que são completamente impraticáveis”, diz o professor do MIT Wojciech Matusik, um dos coautores do estudo, apresentado em uma conferência de computação gráfica em Anaheim, Califórnia. “Essa é a primeira abordagem técnica em larga escala que dispensa o uso dos óculos.”

Embora os cientistas envolvidos alertem que o sistema ainda não está pronto para comercialização, eles se dizem otimistas de que versões futuras impulsionem a tecnologia a ponto de os cinemas oferecerem filmes tridimensionais sem a necessidade de se usarem os óculos.

Tecnologias tridimensionais sem óculos já existem, mas nenhuma se adapta ao tamanho de um cinema. Os métodos tradicionais para tevê usam uma série de fendas na frente da tela (barreira paralaxe) que permitem que cada olho veja um conjunto diferente de pixels, criando um sentido simulado de profundidade. Mas, como essas barreiras têm de estar a uma distância consistente do espectador, a abordagem não se aplica para espaços amplos, como salas de cinema, em que há pessoas a diferentes ângulos e distanciamento da tela.


Outros métodos, incluindo um também criado pelo Laboratório de Mídia do MIT, envolvem o desenvolvimento de projetores completamente novos que cobrem todos os ângulos da audiência. Porém, eles requerem uma redução considerável da resolução da imagem.

Limitação

O ponto-chave do Cinema 3D é que as pessoas na sala de exibição movem suas cabeças sobre uma pequena gama de ângulos devido à largura limitada dos assentos. Isso é suficiente para exibir a estreita faixa de ângulos e replicá-la para todos os lugares do cinema. O que a tecnologia faz, então, é codificar múltiplas barreiras paralaxes em uma tela, de forma que cada espectador vê uma barreira sob medida para sua posição. Para tanto, uma série de espelhos e lentes que compõem o sistema ótico especial replicam as barreiras pela sala.


“Com um televisor 3D, você tem de considerar que há pessoas se movendo ao redor do aparelho para assistir de diferentes ângulos, o que significa que você tem de dividir um número limitado de pixels para serem projetados de forma que os telespectadores vejam as imagens de qualquer lugar que estejam”, diz Gordon Wetzstein, professor de engenharia elétrica da Universidade de Stanford, que não participou do estudo.

“Os autores do Cinema 3D claramente exploraram o fato de que salas de cinema têm uma configuração única, na qual cada pessoa senta-se mais ou menos fixa o tempo todo”, afirma. “A equipe demonstrou que a abordagem permite que espectadores de diferentes partes do auditório vejam imagens em alta resolução de forma consistente.”

 

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