Impacto do sedentarismo custa US$ 67 bi à saúde financeira global

Estudo inédito mostra que a inatividade física, além de desencadear doenças crônicas, custou mundialmente US$ 67,5 bilhões em 2013, com gastos em tratamento e perda de produtividade

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postado em 28/07/2016 06:10 / atualizado em 28/07/2016 07:20

Arte/CB/DA Press

Os efeitos do sedentarismo sobre o corpo são bem conhecidos. Risco aumentado para doenças cardiovasculares, obesidade, enfraquecimento muscular e baixa resistência são alguns deles. Agora, pela primeira vez, epidemiologistas de diversos países calcularam o impacto da inatividade física sobre a saúde financeira global. Utilizando dados oficiais de 142 nações, eles concluíram que, em 2013, os gastos com tratamento e a perda de produtividade decorrentes de doenças associadas custaram, ao mundo, US$ 67,5 bilhões. No Brasil, foram US$ 3,62 bilhões.

O levantamento faz parte de uma série de quatro artigos publicada na revista médica The Lancet. Aproveitando a proximidade das Olimpíadas, evento que costuma incentivar a prática de atividade física, os autores esperam focar os holofotes em um problema que, na avaliação do educador físico Pedro Curi Hallal, do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, não tem recebido a atenção necessária.

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Para o cientista, que coordenou os trabalhos do especial de 2012 e é coautor dos estudos desta edição, embora o impacto do sedentarismo na mortalidade seja superior ao de outros fatores de risco, pouco se pensa e se faz a respeito. “A inatividade física mata 5,3 milhões por ano. O tabagismo, 5,1 milhões; e a obesidade, 3 milhões”, exemplifica. “A falta de atividade é um problema monstruoso e gravíssimo de saúde pública, mas não é tratado como tal”, critica Hallal.

O especialista lembra que, para enfrentar essa epidemia de sedentarismo — 23,8% da população mundial encaixa-se na classificação — são necessárias soluções complexas, como planejamento urbano que privilegie calçadas de pedestres e ciclovias, incorporação da atividade física pelos sistemas de saúde, investimento em aulas de educação física nas escolas (ao menos três por semana) e incentivo à prática nas empresas privadas. “Além disso, a percepção de indignação da população é muito baixa. Oitenta por cento dos adolescentes do mundo são inativos. Imagina se esse fosse o percentual de adolescentes que fumassem ou fossem obesos? Ninguém leva a inatividade física tão a sério”, lamenta.

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