Astronautas que visitaram a Lua têm índice de morte por problema no coração

Segundo estudo, o dado parece relacionado à radiação cósmica, uma informação relevante para as futuras missões espaciais

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postado em 29/07/2016 06:00 / atualizado em 29/07/2016 07:40

NASA/AP
 

 

O mundo parou para assistir. Em 20 de julho de 1969, a nave Apollo 11 pousou na Lua, levando três homens a bordo. Horas depois, um deles, o comandante Neil Armstrong, saiu por uma porta, desceu uma escada e, quando estava prestes a colocar o pé sobre a poeira lunar, disse uma das mais famosas frases da história: “Este é um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”.

Passados 47 anos, a atenção dos cientistas não está mais nos pés de Armstrong, mas em outra parte de sua anatomia: o coração e todo o sistema ligado ao órgão. Quando o astronauta morreu, em 25 de agosto de 2012, a família informou que a causa havia sido “complicações resultantes de procedimentos cardiovasculares”. Para especialistas que assinam um estudo publicado na revista especializada Scientific Reports, o óbito pode estar ligado à façanha realizada em 1969.

No trabalho, o grupo liderado por Michael Delp, pesquisador da Universidade Estadual da Flórida (Estados Unidos), aponta que o índice de mortes por problemas cardiovasculares entre os integrantes das missões Apollo é muito mais alto do que o da população em geral, girando em torno de 43%. E, apoiados em testes de laboratório com animais, os autores apontam que essa alta taxa parece relacionada à exposição à radiação cósmica sofrida por esses homens.

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“Os 24 integrantes da Apollo que viajaram à Lua foram os únicos seres humanos que chegaram ao espaço profundo. Por isso, eu me perguntei se eles poderiam ter desenvolvido problemas de saúde a longo prazo”, conta Michael Delp ao Correio. Para sanar essa dúvida, ele e seus colaboradores acessaram os bancos de dados da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e tabularam a causa de morte de ex-astronautas, divididos em três grupos: aqueles que nunca voaram em uma missão; os que voaram, mas ficaram em órbita baixa (região mais próxima ao planeta e ainda protegida dos raios cósmicos pela atmosfera, como na Estação Espacial Internacional); e os que foram à Lua.

A análise mostrou que, entre os integrantes dos dois primeiros grupos que já morreram, problemas cardiovasculares — que incluem parada cardíaca, infarto do miocárdio, derrame, aneurisma cerebral e coágulos sanguíneos — representam uma porcentagem próxima à da população americana: 9% e 11%, respectivamente. “Este estudo mostra que (os membros das missões lunares) têm uma taxa de mortalidade por doença cardiovascular bem maior em comparação aos astronautas norte-americanos que não realizaram viagens ou que foram apenas à órbita baixa da Terra”, afirma Delp.

 

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