Parasita causador da elefantíase aumenta o risco de contágio pelo HIV

Verme chega a ficar 10 anos no corpo de um indivíduo sem provocar sintomas

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postado em 07/08/2016 07:10


Causador da filariose linfática, o parasita Wuchereria bancrofti chega a ficar 10 anos no corpo de um indivíduo sem provocar sintomas. O silêncio pode ter consequências catastróficas. Além da elefantíase, a grave deformação nas pernas, que acomete 15% dos infectados pelo verme, deixa as pessoas mais suscetíveis ao vírus da Aids. É o que concluiu um grupo de cientistas do Centro Alemão para Pesquisa em Infecção (DZIF) em um estudo com 2.699 habitantes de Mbeya, no sudeste da Tanzânia. Segundo eles, há casos em que o risco de contrair o HIV chega a ser 3,2 vezes maior.

“A longa duração da doença causada pela W. bancrofti cria uma resposta imune contínua, o que poderia tornar as pessoas mais vulneráveis à infecção pelo HIV”, explicou, em comunicado, Inge Kroidl, coautor do estudo, divulgado na revista britânica The Lancet, e especialista em medicina tropical da Universidade de Munique. A filariose acomete principalmente a África. No caso da Tanzânia, afeta 25% da população. A descoberta, segundo os autores, também pode ajudar em futuras investigações sobre as razões de a Aids se disseminar com mais facilidade no continente desde o início da epidemia.

O trabalho com os participantes tanzanianos durou cinco anos, entre 2006 e 2011. Dos 2.699 voluntários, 1.055 apresentaram teste positivo para a filariose. Ao todo, ao longo do trabalho, foram detectadas 32 infecções pelo HIV. Analisando os dados, os cientistas concluíram que, na faixa entre 14 e 25 anos, as pessoas com filariose tinham 3,2 vezes mais chance de contrair o vírus da Aids do que as não contaminadas pelo parasita. Entre 25 e 45 anos, o risco foi de 2,4. E, acima dos 45 anos, 1,2.

Os participantes foram examinados, anualmente, durante os cinco anos. Os cientistas recolheram amostras de sangue, urina, fezes e saliva para fazer o teste de detecção do HIV e da infecção pelo W. bancrofti. Também aplicaram questionários a fim de avaliar a atividade sexual dos participantes e comportamentos de risco. “Os adolescentes e os adultos jovens são particularmente afetados”, reforçou Inge Kroidl, ressaltando também que a ligação observada se trata de uma correlação, não de uma relação de causa e efeito.

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