Treinamento de brasileiro recupera parcialmente mobilidade de paraplégicos

Combinando robótica e realidade virtual, treinamento liderado pelo brasileiro Miguel Nicolelis recuperou parcialmente a mobilidade e a capacidade sensorial de paraplégicos. Participantes também comemoram melhoras na vida sexual

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postado em 12/08/2016 06:10 / atualizado em 12/08/2016 07:24


Em 2013, o projeto Andar de Novo deu início a um trabalho de reabilitação com oito pacientes paraplégicos. O primeiro passo da iniciativa foi, na realidade, um chute: vestindo um exoesqueleto robótico controlado pelo cérebro, o jovem Julian Pinto lançou com os pés a bola de futebol, abrindo a cerimônia de estreia da Copa do Mundo de 2014. De lá para cá, cientistas liderados pelo brasileiro Miguel Nicolelis continuaram os treinos de habilitação com voluntários. Quase três anos depois da investida de Julian, eles publicam, nesta semana, na Scientific Reports, os primeiros resultados da pesquisa.

“É o nosso primeiro artigo clínico, e ele traz uma grande surpresa para nós: descobrimos que o treino prolongado com a interface cérebro-máquina (BMI, na sigla em inglês) em pacientes que sofreram lesões na medula espinhal há muito tempo pode levar à recuperação parcial”, conta Nicolelis. O treinamento com realidade virtual e o uso de robótica controlada pelo cérebro promoveram melhorias sobretudo na mobilidade e na capacidade sensorial dos oito participantes da pesquisa, conduzida na Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa (AASDAP), em São Paulo.

Em quatro dos casos, os cientistas conseguiram reverter o quadro de paralisia total dos membros inferiores para parcial, um avanço inédito alcançado por uma técnica não invasiva. Um dos casos mais impressionantes é o de uma mulher de 32 anos que perdeu os movimentos aos 14. No início da pesquisa, ela era incapaz de ficar em pé, mesmo com ajuda de equipamentos. Pouco mais de um ano depois, conseguia andar com um arnês — equipamento suspenso que sustenta o peso corporal — e com supervisão e ajuda de um terapeuta.

“Não podíamos prever um resultado clínico tão surpreendente”, comemorou o paulista Miguel Nicolelis, que é neurocientista da Universidade de Duke, nos Estados Unidos. Alguns pacientes observaram progressos também na vida sexual: uma relatou melhoras sensoriais tão expressivas que decidiu engravidar. “Ela conseguia sentir as contrações”, relata Nicolelis. “Também houve melhoria no desempenho sexual dos homens”, acrescentou o pesquisador, notando que alguns deles recuperaram “a possibilidade de ter relações sexuais e ereções”.

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