Livro narra trajetória do Brasil com relatos científicos sobre eletricidade

Imponente, o fenômeno alimentou superstições portuguesas e ajudou líder de revolução a escapar das tropas do Império

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postado em 14/08/2016 07:00


Há muitas formas de se contar a história de um país. O Brasil, por exemplo, começou a ser narrado pela pena de um escrivão português; por muito tempo, foi explicado pela voz elitista oficial; teve capítulos relatados por cartas, diários, reportagens; já foi desnudado pela ótica do cidadão comum e da vida privada. Nunca, porém, a trajetória de uma nação foi protagonizada pelo personagem escolhido pelo cientista Osmar Pinto Jr. e pela jornalista e cineasta Iara Cardoso no livro Brasil — que raio de história (editora Oficina de Textos). Na obra, é ele, o raio, que conduz o leitor pelos últimos 500 anos do país.

E nem podia ser diferente. Um dos maiores experts mundiais no assunto, Osmar Pinto Jr. coordena o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), referência internacional nessa área. Iara Cardoso faz jornalismo científico e especializou-se, pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), em documentários e roteiros de ciência e tecnologia. Haviam trabalhado juntos em uma popular série de televisão sobre raios e no filme Fragmentos de paixão, que versa sobre o mesmo tema. Decidiram, então, reunir o resultado de três anos de pesquisa em um livro de 80 páginas, que, embora breve, é recheado de informações desconhecidas até por Pinto Jr., que estuda o fenômeno há quatro décadas.

O cientista conta que a obra surgiu aos poucos, partindo da ideia, levada por Iara Cardoso ao Inpe, de que a ciência precisa ser popularizada. O que começou com um levantamento de mortes por raios no Brasil se transformou em roteiro do programa de tevê e do documentário. Durante a pesquisa, eles resolveram investigar como abordavam esse fenômeno natural no passado. “Era para ser algo sobre os últimos 10, 20 anos, mas, aí, a gente começou a se entusiasmar, fomos voltando, voltando e decidimos: vamos logo para 500 anos de história”, diz Pinto Jr.

Iara Cardoso mergulhou em bibliotecas e arquivos e, a cada descoberta que fazia entre folhas amareladas, percebia o tesouro que tinha em mãos. “O mais difícil foi localizar esses trechos da história que falassem dos raios. A gente via tanto livro e pensava: onde vou encontrar? Fomos muito pelo feeling”, revela a documentarista. Um dos momentos que ela recorda como extraordinário da preparação do livro foi o dia em que se deparou com a primeira foto de um raio feita no Brasil, um registro de Henrique Morize de 1885. Essa preciosidade também é destacada por Osmar Pinto Jr.: “Hoje, com máquina digital, é fácil fazer foto de raio. Imagine no século 19. Fico pensando em como o Morize ficou impressionado quando revelou o filme e viu a imagem”.

 

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