Estudo mostra que domesticação de plantas no continente começou nos EUA

O movimento se deu em decorrência de uma explosão populacional e da escassez de alimentos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 23/08/2016 06:00 / atualizado em 23/08/2016 08:10

Frederic J. Brown/AFP
 
 
Cinco mil anos atrás, o continente americano passou por uma revolução semelhante à experimentada, sete milênios antes, pela Europa. No leste da região norte da América, pela primeira vez, o homem começou a domesticar a vegetação. Era o primeiro passo para abandonar um estilo de vida nômade, baseado na caça e na coleta, para, enfim, se fixar na terra. De acordo com um estudo da Universidade de Utah, esse movimento se deu em decorrência de uma explosão populacional e da escassez de alimentos, que obrigaram os nativos a procurar uma nova forma de subsistência.

“Plantas e animais domesticados são parte do nosso cotidiano, tanto que tomamos isso como algo normal. Mas representa algo muito único na história humana. Foi o que permitiu a um número maior de pessoas viverem em um mesmo local. No fim, isso pavimentou o caminho para a emergência da civilização”, diz o antropólogo Brian Codding, que liderou o estudo, publicado no jornal especializado Royal Society Open Science.

“Na maior parte da história do homem, as pessoas viveram de alimentos selvagens — qualquer coisa que poderiam caçar ou coletar. Foi só em um tempo relativamente recente que elas fizeram essa mudança para um método muito diferente de adquirir alimentos. É importante entender por que essa transição ocorreu”, acrescenta o estudante de graduação Elic Weitzel, principal autor do artigo.

O trabalho se concentrou não na instituição da economia agrícola, mas no passo inicial da domesticação, quando as primeiras pessoas do leste da América do Norte começaram a plantar espécies que coletavam na natureza, como girassol, abóbora, sabugueiro e a Chenopodium berlandier, chamada popularmente de semente-de-pé-de-ganso, um pseudocereal muito próximo da quinoa. Codding, professor-assistente de antropologia da Universidade de Utah, diz que pelo menos 11 eventos de domesticação de plantas foram identificados na história mundial, começando com o trigo, há 11,5 mil anos no Oriente Médio. O do leste da América do Norte, iniciado há 5 mil anos, foi o nono deles e ocorreu após uma explosão populacional, entre 6,9 mil e 5,2 mil anos atrás.

Teorias

Há muitos anos, duas teorias competem para explicar a causa da domesticação no continente americano. A primeira sustenta que o crescimento populacional e a consequente escassez alimentar incentivou o plantio de espécies que já eram coletadas. A outra teoria, chamada de “construção de nicho” ou “engenharia de ecossistema” diz, basicamente, que a experimentação intencional durante tempos de abundância levou as pessoas a manipularem plantas selvagens e aumentar os estoques alimentares.

“Nós argumentamos que as populações humanas aumentaram significativamente antes da domesticação das plantas no leste da América do Norte, sugerindo que as pessoas são levadas à domesticação quando a população é maior que a oferta de alimentos naturais”, diz Weitzel.

De acordo com ele, a transição para a domesticação permitiu que as populações humanas aumentassem drasticamente ao redor do mundo, tornando o estilo de vida moderno possível. “As pessoas começaram a viver perto dos campos. Quando você tem comunidades sedentárias, elas passam a se expandir. Vilas crescem para cidades. Uma vez que você tem isso, você tem todos os tipos de mudanças sociais. Nós não vemos sociedades divididas em níveis até que a domesticação ocorra”, explica.

A região da América do Norte coberta pelo estudo inclui os estados de Missouri, Illinos, Indiana, Ohio, West Virginia, Kentucky, Tennessee e Arkansas, além de porções de Oklahoma, Kansas, Iowa, Virginia, Carolina do Norte, Carolina, Georgia, Mississippi e Louisiana, todas nos EUA. “Essa é a região em que as plantas comestíveis começaram a ser domesticadas de suas variantes selvagens. Em todos os outros lugares da América do Norte, os grãos foram importados de diversas partes do continente, particularmente do México e da América Central”, conta Weitzel.

 
A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.