Confirmada a existência de planeta semelhante à Terra que pode ter vida

Batizado de Proxima b, o planeta está na zona habitável de sua estrela e pode ter condições de abrigar vida

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postado em 24/08/2016 17:46 / atualizado em 25/08/2016 10:52

Astrônomos ligados ao Observatório Europeu do Sul (ESO) confirmaram que a estrela Proxima Centauri, a mais perto do Sol, a 4 anos-luz de distância, é orbitada por um planeta que aparenta ter condições de abrigar vida. Batizado de Proxima b, o planeta tem massa parecida com a da Terra, é rochoso e fica na chamada zona habitável, aquela em que o objeto recebe a quantidade de calor ideal para que a água possa se manter líquida na superfície e organismos consigam proliferar.

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Proxima b está a apenas 7 milhões quilômetros de sua estrela, uma distância menor que a que separa Mercúrio do Sol. No entanto, como Proxima Centauri é uma anã vermelha, que emite pouca radiação, a pequena distância acaba sendo um ponto que favorece o surgimento da vida. Devido à proximidade, um ano em Proxima b dura apenas 11 dias.

Os primeiros sinais de que poderia haver um exoplaneta (planeta fora do Sistema Solar) tão perto de nós surgiram em 2013. Como se trata de uma estrela com luz muito fraca, porém, a confirmação era difícil. A partir de janeiro deste ano, o astro começou a ser observado constantemente com a ajuda do espectrógrafo HARPS, instalado no telescópio de 3,6m do ESO, em La Silla, no Chile.

Diversos outros telescópios se juntaram à observação, uma iniciativa batizada de Pale Red Dot Campaign (campanha do pálido ponto vermelho, em referência a Proxima Centauri). O objetivo era confirmar se o sinal recebido da estrela era mesmo um planeta em sua órbita.
“Eu fiquei checando a consistência do sinal todo dia durante as 60 noites da Pale Red Dot campaign. As primeiras 10 foram promissoras, as primeiras 20 foram consistentes com as expectativas, e, ao fim de 30 dias, o resultado era bastante definitivo, então começamos a rascunhar o artigo”, contou Guillem Anglada-Escudé, astrônomo da Queen Mary University, em Londres, e líder do projeto. O artigo sobre a descoberta está publicado na edição desta semana da revista Nature.

Muitos estudos precisam ser feitos ainda para confirmar que o Proxima b realmente é habitável. Ainda não se sabe, por exemplo, se ele tem uma atmosfera ou um campo magnético que protejam o ambiente da radiação emitida por sua estrela. Há projetos que pretendem enviar sondas para estudar a Constelação de Alfa Centauro, um conjunto de três atros formado pela Proxima Centauri e pelas Alfa Centauro A e B.
Um desses projetos, endossado pelo físico inglês Stephen Hawking, é o Breakthrough Starshot, que planeja enviar milhares de sondas do tamanho de um smartphone impulsionadas por laser. Viajando a 20% da velocidade da luz (60.000km/segundo), as peças levarão, se tudo der certo, 20 anos para chegar à constelação e começar a enviar dados para a Terra. Aí, será possível descobrir se Proxima Centauri pode ser a primeira parada da humanidade quando ela decidir explorar o espaço além das fronteiras do Sistema Solar.

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