Cientistas encontram gordura benéfica que ajuda na queima de calorias

Pesquisa conduzida por norte-americanos foi feita em ratos, mas poderá ajudar no combate à obesidade em humanos

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postado em 27/08/2016 07:00

 

 

Há pouco tempo, cientistas encontraram um tipo até então desconhecido de gordura benéfica, a bege, tecido que queima caloria e ajuda a combater obesidade e diabetes. Agora, pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco, nos Estados Unidos, anunciaram que descobriram um meio de cultivar essa substância. Segundo eles, o estudo, publicado no jornal Cell Metabolism, representa um avanço nos esforços para utilizar a gordura bege na batalha contra as epidemias de excesso de peso e de doenças associadas que assolam o mundo.

Esse tecido tem a habilidade de se transformar em gordura branca e marrom, descobriram os cientistas, de acordo com o estado da mitocôndria, o centro de energia das células. Estratégias que previnam as células bege de digerirem as próprias mitocôndrias fazem com que elas passem a queimar muitas calorias. Em ratos, essa intervenção protegeu os animais contra sintomas de obesidade e pré-diabetes, o que aumenta a esperança de aplicações futuras em pacientes humanos.

O biólogo Shingo Kajimura, principal autor do trabalho, explica que todos os mamíferos, incluindo o homem, têm dois tipos de tecido adiposo com funções completamente opostas: a branca, que estoca energia e é associada ao excesso de peso e aos distúrbios metabólicos, e a marrom, que produz calor ao queimar a energia. Bebês nascem com gordura marrom como defesa natural contra o frio, mas só em 2009 pesquisadores descobriram que os adultos também têm essa substância.

 

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No ano passado, o grupo de Kajimura demonstrou que a maior parte dessa gordura em humanos não é a marrom com a qual os nenéns nascem, mas um tipo de célula completamente diferente, que foi chamada de bege. Ela se encontra dentro da gordura branca e tem a habilidade de se converter rapidamente de um estágio de estoque de energia para o de queima calórica em resposta a mudanças ambientais, como calor e frio, entre outros estressores.

Muitos pesquisadores que investigam a obesidade esperam melhorar a capacidade de gasto energético das células bege e marrom para ajudar os pacientes a perderem peso: apenas 55g dessa gordura pode exterminar até 200 calorias por dia quando a temperatura cai. Porém, apenas expor as pessoas ao frio ou dar a elas drogas que enganem o corpo, para que ele pense que está frio, se provou ineficaz nos primeiros testes porque, na maior parte dos obesos, falta uma quantidade significativa de gordura marrom. Essas abordagens também têm efeitos cardiovasculares perigosos, o que é especialmente preocupante no caso do excesso de peso.

Instabilidade
Recentemente, a equipe da Universidade da Califórnia em San Francisco identificou novas estratégias farmacológicas para transformar a gordura branca em bege nos ratos, o que mostrou benefícios significativos sem provocar efeitos colaterais. Contudo, logo os pesquisadores perceberam que, quando o tratamento para, a nova gordura bege volta ao estágio branco em poucas semanas. “Por muitos anos, nosso foco foi aprender como converter gordura branca em bege. Agora, estamos percebendo que também precisamos pensar em como mantê-la no corpo por mais tempo”, diz Kajimura.

No novo trabalho, uma equipe coordenada pela estudante de graduação Svetlana Altshuler-Keylin demonstrou que, ao ser revertida em gordura branca, as células bege digerem a própria mitocôndria, uma estrutura encontrada no interior celular que queima glicose e a transforma em energia. Quando os pesquisadores retiraram genes que evitam esse processo, conseguiram preservar a gordura bege e seus benefícios à saúde.

Primeiramente, a equipe precisava mostrar que células bege voltam ao estágio branco. Isso acontece quando elas estão morrendo (por terem consumido a mitocôndria) e são repostas por novas células brancas. Para demonstrar isso, Altshuler-Keylin encapsulou as células em um gel e usou um microscópio para rastrear sua transformação por 10 dias. Ela viu que as células bege perdem rapidamente sua aparência mármore, desenvolvendo uma única e grande gota de lipídio oleoso, típico das gorduras brancas. “Então, nós sabíamos que a gordura bege tende a desaparecer, mas queríamos saber o porquê”, diz Altshuler-Keylin. “Nós sabíamos que as cores marrom e bege da gordura vêm da quantidade de mitocôndrias pigmentadas que elas contêm, então, pensamos que alguma coisa estava acontecendo com a mitocôndria quando a gordura bege virava branca.”

Fator genético

Os pesquisadores analisaram mudanças na expressão do gene durante a transição bege para branco. Eles descobriram que, de fato, um grupo genético associado à mitocôndria estava altamente ativo durante o estágio bege, mas declinava rapidamente à medida que as células adiposas tornavam-se brancas. Usando proteínas fluorescentes para visualizar a mitocôndria, eles confirmaram que essa bateria celular aumenta em número durante a transição para bege, mas declina no embranquecimento.

Outras análises de expressão genética sugeriram que a autofagia — processo comum no qual as células digerem os próprios componentes internos — estava ativa nessa transição. Altshuler-Keylin suspeitou que controlar o processo pode ser a chave para manter as células bege queimando caloria. Ela conseguiu alguns ratos com genes-chave para a autofagia deletados nas células bege, aumentou os níveis dessa gordura nos animais com medicamentos ou com a temperatura fria e cessou os fatores estimulantes.

A pesquisadora descobriu que os ratos cujos genes foram apagados mantiveram muito mais gordura bege, provavelmente porque não conseguiam voltar ao estágio branco. “Essa foi a primeira vez em minha carreira que vi algo tão incrível. Tive de correr pelo laboratório para mostrar para todo mundo”, conta.

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