Roupa à prova de calor elimina suor e alta temperatura do corpo

Os criadores acreditam que o material dará origem a tecidos que refrescam tanto quanto o ar-condicionado

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 02/09/2016 06:00 / atualizado em 02/09/2016 01:12


O Sol a pino é um convite para passar o dia no clube ou na praia, mas, na correria do dia a dia, ele pode ser um transtorno. O calor causa mal-estar e o suor encharca a roupa, causando ainda mais desconforto. Esse incômodo pode estar perto de acabar graças a uma nova tecnologia desenvolvida por cientistas americanos e chineses. Os investigadores criaram um tecido feito de plástico que consegue proteger da temperatura quente ao mesmo tempo em que expulsa o calor produzido pelo corpo e ajuda o suor a evaporar. O material, chamado de nanoPE, foi apresentado ontem na revista especializada Science e, apesar de ainda precisar ser aprimorado, abre perspectivas reais para a fabricação de uma nova classe de vestimentas.

A vontade de criar um tecido que resfrie o corpo humano é um antigo sonho dos pesquisadores, que começou a tomar forma quando um material de uso comum em laboratórios se mostrou promissor alvo de investigação. “Ocorreu-nos que a matéria-prima do separador das baterias de íons de lítio que usamos todos os dias teria esse potencial. Elas são feitas de polietileno, que não absorve a radiação infravermelha”, explica ao Correio Yi Cui, professor de ciência de materiais e engenharia da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo.

A não absorção do infravermelho é a principal vantagem do material, uma vez que o corpo humano emite grande parte de seu calor por meio dessa radiação — em forma de uma onda invisível, é ela que torna os organismos visíveis quando observados por meio de óculos de visão noturna. “Entre 40% e 60% do calor do nosso corpo é dissipado na forma de radiação infravermelha quando estamos sentados em um escritório”, esclarece, em um comunicado, Shanhui Fan, professor de engenharia elétrica em Stanford e também criador do nanoPE.

Sem ventilador

Para aprimorar o polietileno, a equipe modificou o material por meio de produtos químicos misturados com nanotecnologia e fotônica. A transformação fez com que a absorção da radiação infravermelha fosse melhorada e forneceu outra importante propriedade ao plástico: ao entrar em contato com ele, o suor evapora e é liberado através de nanoporos. Faltava, então, dar ao novo material um aspecto semelhante ao dos tecidos. Para isso, uma malha de algodão foi colocada entre duas folhas de nanoPE, garantindo a resistência e a maleabilidade necessárias.

Em testes comparativos com um tecido de algodão, a invenção conseguiu deixar uma superfície até 4ºC mais fresca. Para os pesquisadores, essa diferença significa que uma pessoa vestida com a malha de polietileno poderia dispensar o uso de um ventilador ou do ar-condicionado. “Se você pode esfriar a pessoa em vez de o edifício onde ela trabalha ou mora, você poupará energia”, ressalta Yi.

Roberto Ribeiro de Avillez, coordenador de Engenharia de Materiais e Nanotecnologia do Departamento de Engenharia Química e de Materiais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), considera que o aspecto mais interessante da pesquisa foi a escolha da matéria-prima. “Chama a atenção o uso de um material que não é utilizado com essa função, mas que realmente é muito versátil. Esses pesquisadores transformaram um produto relativamente impermeável em permeável”, explicou o especialista, que não participou do estudo.

Avillez também destaca que as características de nanoPE seriam ideais para países de clima quente, como o Brasil. “Nosso corpo é quente, sempre estamos emitindo calor. A sensação de mal-estar, que nós brasileiros conhecemos bem, acontece quando sentimos o abafamento do calor produzido por nosso corpo. Temos algumas roupas criadas para amenizar isso, mas elas são mais leves e vazadas. O que esses pesquisadores fizeram foi um material que permite a uma roupa mais fechada mandar o calor para fora.”

Cores

Os cientistas adiantam que nanoPE precisa passar por mais testes antes de se tornar um produto comercializável. A próxima etapa é encontrar uma forma de conferir diferentes cores e texturas ao material. “Para ser mais ‘usável’, ele precisa parecer com um pano tradicional. Por ser amplamente utilizado em baterias, seu valor também é acessível, cerca de US$ 2 por metro quadrado. Esse preço é comparável ao do têxtil tradicional, o que o torna muito vantajoso para comercialização”, afirma Yi.

 

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.