Pequeno vilarejo italiano tem 11,5% da população com mais de 100 anos

Peculiaridades genéticas e produção dos próprios alimentos estão entre os fatores identificados

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postado em 06/09/2016 06:10 / atualizado em 06/09/2016 07:44

 Mário Laporta/AFP
 

 

O segredo da longevidade pode estar na rotina simples de um pequeno povoado encravado entre o mar e montanhas ao sul de Salerno, na Itália. Com 700 habitantes, Acciaroli abriga 81 centenários, o equivalente a 11,5% dos moradores. Para se ter uma ideia, no Brasil — que, segundo especialistas, passa por um processo de envelhecimento populacional —, as pessoas com mais de 100 anos representavam 0,01% da população contabilizada no último Censo, em 2010. Depois de seis meses acompanhando os longevos italianos, cientistas identificaram ao menos três fatores que explicam tamanha divergência estatística: eles levam uma vida ativa, inclusive a sexual, seguem uma dieta equilibrada nutricionalmente e são beneficiados por alguns ajustes genéticos.


Uma equipe da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, ajudada por colegas da Universidade La Sapienza de Roma, desembarcou em Acciaroli na última primavera italiana para estudar os habitantes locais. Dos 80 centenários que participaram do estudo, 25 deles com mais de 100 anos de idade, nenhum tinha Alzheimer — segundo o Manual Merck de Informação Médica, a doença neurodegenerativa acomete 30% das pessoas com 85 anos ou mais. Os estudiosos também detectaram que esses moradores do povoado apresentavam propensão a quase nunca sofrer de doenças cardíacas e outros males cognitivos.


A ausência de um marcador biológico seria, segundo os cientistas, uma das razões da velhice saudável em Acciaroli. Os italianos estudados têm uma concentração menor do vasodilator adrenomedulina no corpo, que “parece agir como um poderoso fator de proteção, favorecendo um desenvolvimento ótimo da microcirculação”, explicaram os autores, em comunicado. A adrenomedulina participa de uma infinidade de funções fisiológicas do metabolismo, desde o controle da frequência cardíaca aos mecanismos de transmissão nervosa. Há, porém, a constatação de taxas altas dessa substância em casos de doenças. O nível pode dobrar, por exemplo, em pacientes com câncer, insuficiência renal e diabetes.


Os pesquisadores também analisaram a alimentação dos idosos italianos, conhecidos por seguir a famosa dieta mediterrânea. A baixa ausência de industrializados e o foco em alimentos produzidos pelos próprios moradores chamaram a atenção. “Comemos um monte de peixe, produtos agrícolas que nós mesmos produzimos. Temos nossos coelhos, nossas galinhas. Todos são produtos da terra”, conta Amina Fedollo, 93, casada com Antonio Vassallo, que recentemente comemorou os seus 100 anos. “Basta comer coisas saudáveis”, resume o italiano, ressaltando que o cuidado vale para um dos principais produtos das refeições de Acciaroli: o azeite de oliva. “Nós consumimos o que produzimos”, garante.


Além das boas escolhas alimentares, há, segundo os pesquisadores, a possibilidade de a genética potencializar a dieta desses idosos. Eles teriam um gene que conseguiria extrair as propriedades benéficas de alguns produtos consumidos regularmente. “É o caso do alecrim, que melhora as capacidades do cérebro”, ilustra Alan S. Maisel, professor de medicina cardiovascular na Universidade de San Diego e integrante do estudo. O cientista também ressaltou que o estudo se baseou em avançadas análises sanguíneas, envolvendo o DNA e o metabolismo dos participantes, controle cardíaco e neurológico.

Mário Laporta/AFP

 

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