Equipamento permite que sequelas decorrentes de AVC sejam tratadas em casa

97% dos voluntários submetidos ao procedimento relataram melhoras na destreza manual

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postado em 09/09/2016 06:05 / atualizado em 09/09/2016 07:03

Valdo Virgo/CB/DA Press

Os sobreviventes de um derrame cerebral quase sempre precisam lidar com uma sequela que impacta significativamente a qualidade de vida: a paralisia motora. Em maior ou em menor grau, o problema costuma afetar um lado do corpo — aquele onde aconteceu o acidente vascular. Consequentemente, eles têm dificuldade de abrir a mão e devem fazer reabilitação em clínicas especializadas. Um estudo publicado na revista Stroke, da Associação Americana do Coração, mostrou que um aparelho simples, usado em casa, é mais eficiente que o tratamento convencional.

O equipamento, ainda experimental, consiste em uma pequena caixa, uma luva e dois eletrodos. O paciente veste a mão saudável, enquanto os eletrodos são posicionados na paralisada. A abertura manual da mão é comandada pelo cérebro, que envia a ordem para os músculos do órgão. A luva tem sensores flexíveis, que captam esse movimento, e enviam os sinais para a caixa. Ela promove a estimulação elétrica da mão paralisada — mesmo que o comando do lado do cérebro afetado pelo derrame seja fraco, o paciente consegue abri-la porque “aproveita” a sinalização enviada pela outra mão.

A consequência do treino é o fortalecimento muscular progressivo. “Apesar de serem descritos em sequência, esses passos acontecem todos simultaneamente”, esclarece Jayme S. Knutson, principal autor do estudo e professor de reabilitação da Universidade da Reserva de Case Western, nos Estados Unidos.

Oitenta pessoas participaram do experimento descrito na Stroke. Durante três meses, metade delas usou a luva, enquanto as demais receberam a terapia tradicional, na qual fisioterapeutas aplicavam choques de baixa intensidade na mão afetada para estimular sua abertura. Independentemente do tipo de tratamento, todos os voluntários receberam um estimulador elétrico para utilizar em casa por 10 horas semanais, além de terem de passar três horas por semana com um terapeuta ocupacional para praticar tarefas orientadas. Antes e depois do estudo, os participantes fizeram um teste de destreza padrão para medir o número de pinos de madeira que conseguiam pegar, levantar e colocar em outra parte da mesa em um período de 60 segundos.

“Os pacientes do grupo da nova terapia tiveram melhora significativamente maior”, conta Knuston. Eles manipularam 4,6 pinos por minuto, enquanto que o desempenho, entre os demais, foi de 1,8 pino. Aqueles que haviam sofrido o derrame até dois anos antes dos testes foram os que mais se beneficiaram das luvas, com média de 9,6 pinos. No fim, 97% das pessoas que experimentaram a técnica afirmaram que usavam as mãos melhor do que antes e mesmo aqueles sem movimento nos dedos observaram melhoras no movimento dos braços, relata o pesquisador.
 

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