Estudos mostram problemas sociais e psicológicos em dependentes do crack

O perfil ajuda na criação de políticas de prevenção ao vício e de estratégias de tratamento eficazes

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postado em 18/09/2016 10:52

Valdo Virgo/Cb/DA Press

Longe da sala de aula, perto de mazelas sociais e familiares, do álcool e do tabaco desmedidos. Assim, jovens brasileiros afundam-se no vício do crack, indicam estudos científicos. Além de traçar o perfil dessas pessoas — elas representavam 14% dos dependentes da droga em 2014 —, as pequisas servem de parâmetro para o desenvolvimento de medidas de prevenção e tratamentos mais eficazes, defendem os próprios cientistas e outros especialistas da área.

“Muitas têm problemas mentais desde criança. Isso mostra a necessidade de um tratamento integrado. Acredito que o grande ponto é você fazer com que os dependentes, que moram na rua ou passam boa parte do tempo nelas, procurem os locais de assistência social e de tratamento que estão próximos. São dois braços: as pessoas perto das comunidades e as equipes multiprofissionais”, defende Francisco Inacio Bastos, pesquisador da Fiocruz e um dos autores de um estudo, realizado a pedido do Ministério da Justiça, que fez uma espécie de raios X do uso do crack no país.

Constatou-se que cerca de 370 mil brasileiros eram, em 2014, dependentes de crack e de drogas similares, como a merla e a pasta base de cocaína. Desse total, cerca de 50 mil eram crianças e adolescentes. Em busca de mais informações quanto às origens do vício em jovens, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) entrevistaram 90 adolescentes internados em duas clínicas de reabilitação entre 2011 e 2012. As taxas altas de distúrbios psicológicos, como transtorno de conduta e transtorno de deficit de Atenção e hiperatividade, chamaram a atenção da equipe.

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“No perfil psicossocial, a grande maioria tem problemas familiares e baixa escolaridade. Para muitos, o crack é mais uma das dificuldades enfrentadas, algo que transformou tudo em um grande caos social. Por isso, combater a dependência dessa droga é algo muito complexo”, explicou ao Correio Thiago Pianca, psiquiatra do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e um dos autores do estudo, publicado recentemente na revista internacional The Journal of Clinical Psychiatry.

Pianca ressalta que resultados de outros trabalhos científicos, incluindo os que indicam índices altos de recaída após internações, reforçam a necessidade de mudanças na estratégia de tratamento. “O que criticamos é que as internações são curtas e não têm as condições ideais. Não estamos dizendo que não são necessárias, são importantes e, em algumas situações, indispensáveis, mas precisam ter uma estrutura que permita a essas pessoas ter uma vida diferente”, destacou.

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