Brasiliense desvenda condições mais favoráveis à turbulência de céu claro

O estudo pode levar a formas de antecipar esse tipo de ocorrência, aumentando a segurança dos passageiros

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postado em 20/09/2016 07:31

	Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Ela é o terror dos passageiros. E nem adianta dizer que turbulência não derruba avião: basta as primeiras chacoalhadas para que boa parte dos viajantes comece a meditar, rezar ou perseguir os comissários com os olhos, na esperança de que tudo esteja bem. Apesar de, no geral, os riscos serem mínimos, esse é um problema sério. Além do desconforto aos ocupantes da aeronave, há o prejuízo financeiro. Avarias, gastos com combustível e desvios de rota, por exemplo, consomem, anualmente, US$ 150 milhões das companhias aéreas, de acordo com um estudo da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.

Munidos de boletins meteorológicos e com a informação dos radares que identificam a presença de gelo, água e granizo, representadas na tela por pontinhos de diferentes cores, os pilotos costumam evitar as turbulências. Uma delas, porém, é imperceptível, por não depender da formação de nuvens. Trata-se da turbulência de céu claro, considerada a mais perigosa, justamente porque, como o nome sugere, não há nada que indique sua presença. Um estudo desenvolvido pelo piloto e meteorologista brasiliense Ivan Bitar, porém, pode dar origem a uma ferramenta para detectá-la.

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Aos 15 anos, Ivan viajava de Brasília para Belém, quando, ao sobrevoar Palmas, o avião sofreu uma turbulência de céu claro. O comissário de bordo caiu em cima do jovem. “As bebidas foram todas para o chão. Foi o maior susto que tive em um voo”, conta. Naquele momento, surgiu a curiosidade de entender por que, mesmo em condições aparentemente favoráveis, a aeronave havia se desestabilizado. Antes de se formar piloto, Ivan se graduou em meteorologia, ciência que respondeu suas dúvidas sobre fenômenos como as turbulências. Mas ele queria se aprofundar nesse tema e decidiu pesquisá-lo no mestrado, cursado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).

O ineditismo do tema chamou a atenção da orientadora de Bitar, a professora Maria Paulete Pereira Martins. “Foi uma proposta bem original. A turbulência decorrente de uma tempestade pode ser prevista, mas, no caso de céu claro, não. A aviação civil tem crescido muito e, por questões de segurança, é importante tentar desenvolver um modelo de previsão desse tipo de turbulência”, avalia a pesquisadora do Inpe. O trabalho Climatologia e estudo de caso da turbulência de céu claro a partir de registros de aeronaves: análise de dados observacionais e de modelagem é, de fato, o primeiro sobre o tema produzido no Brasil. No resto do mundo, existem estudos em curso, para se chegar a métodos de detecção.

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