Plano da ONU evita avanço de micro-organismos resistentes aos antibióticos

O documento envolverá investimento em pesquisa, promoção de melhores práticas e maior regulação. A expectativa é evitar 700 mil mortes por ano

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 22/09/2016 06:05

V. Altounian/Science Translational Medicine. Bactéria MRSA
 

 

Combater as bactérias resistentes aos medicamentos faz parte da agenda global. Mas especialistas criticam a falta de medidas mais específicas em torno da questão. Ontem, durante a 71ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, líderes dos 193 países se comprometeram a delimitar melhor esse enfrentamento. Assumiram uma lista de compromissos que envolvem desde a apresentação de um plano de ação em dois anos à destinação de US$ 790 milhões para pesquisas na área. A união inédita de esforços tem a intenção de evitar a morte de 700 mil pessoas por ano.  

“A resistência antimicrobiana ameaça a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e requer uma resposta global. Estados-Membros têm hoje acordada uma forte declaração política que fornece uma boa base para a comunidade internacional para avançar. Nenhum país, nenhum setor ou nenhuma organização pode resolver esse problema sozinho”, ressaltou H. E. Peter Thomson, presidente da assembleia geral, que convocou uma reunião de alto nível para tratar do tema.

As projeções em torno das superbactérias indicam que não se trata, mesmo, de um problema pontual. Iniciado em 2014, o estudo Review on Antimicrobial Resistance, encomendado pelo governo britânico, calcula que os micro-organismos superresistentes poderão matar 10 milhões de pessoas por ano a partir de 2050; ou seja, um óbito a cada três segundos. Para se ter uma ideia, atualmente, as complicações em decorrência de cânceres tiram a vida 8,2 milhões de pessoas anualmente.

No último dia 30, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que as doenças sexualmente transmissíveis comuns — clamídia, gonorreia e sífilis — podem se tornar intratáveis em função da queda na eficiência dos remédios disponíveis. Prescritas de forma errada ou abandonadas pelos pacientes no meio do tratamento, essas substâncias fazem com que os micro-organismo criem resistência à ação delas, ficando, assim, menos eficientes ao longo do tempo. No caso da gonorreia, algumas cepas das bactérias que provocam a doença “não reagem a nenhum dos antibióticos existentes”, conforme a OMS. A cada ano, 78 milhões de pessoas são acometidas pela  infecção, que “duplica ou triplica o risco de uma pessoa se contaminar pelo com HIV” (Leia Para saber mais).

Também em animais


A declaração — que pede uma mobilização de governos, médicos, laboratórios e consumidores para frear a ameaça crescente das superbactérias — é a quarta feita pela ONU sobre questões de saúde. A primeira se deu em 2001 e focou no combate ao HIV. Depois, em 2011, tratou das doenças crônicas. E em 2013, contra o ebola.  Desta vez, os líderes se comprometeram a reforçar a regulação de antimicrobianos, promover melhores práticas e fomentar abordagens inovadoras que utilizem alternativas aos agentes antimicrobianos e de novas tecnologias de diagnóstico e vacinas, entre outros temas.

Os esforços envolvem o uso dessas substâncias tanto em humanos quanto em animais. “A resistência antimicrobiana é um problema não apenas em nossos hospitais, mas em nossas fazendas e em nossa comida. A agricultura deve assumir sua parte de responsabilidade, recorrendo a antimicrobianos mais responsável e reduzindo a necessidade de usá-los por meio de uma boa higiene das explorações agrícolas”, defendeu José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO).

Diretora-geral da OMS, Margaret Chan também ressaltou a responsabilidade da indústria no avanço das superbactérias.  “Os consumidores devem poder comer carne sem antibióticos”, disse, na abertura da reunião especial sobre o tema. “Estamos perdendo nossa capacidade de proteger tanto os humanos quanto os animais de infecções mortais.” acrescentou. A estimativa é de que 70% dos antibióticos vendidos nos Estados Unidos sejam usados em animais.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.  

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.