Médicos acreditam que aquecimento global já prejudica a saúde humana

Agravamento de doenças crônicas e aumento dos casos de alergia estão entre os males citados

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postado em 08/10/2016 06:00


Para a comunidade médica internacional, o aquecimento global é uma realidade e já prejudica a saúde humana, mostra um estudo divulgado pela Sociedade Torácica Americana (ATS) ontem. Entre os principais problemas que as mudanças climáticas têm causado na população estão o agravamento de doenças crônicas, o aumento dos casos de alergia e um número maior de ferimentos provocados por eventos extremos, como tempestades e furacões.

A pesquisa conduzida pela ATS contou com a participação de 489 membros da entidade médica de 68 países — o levantamento só foi feito com especialistas de fora dos Estados Unidos. Os voluntários responderam um questionário por e-mail no qual apresentavam suas crenças e conhecimentos a respeito das mudanças climáticas. Para 96% dos entrevistados, o fenômeno é real e está em curso, e 80% disseram que o aquecimento do planeta já traz um impacto grande ou moderado sobre a saúde da população de suas nações. Além disso, 70% julgam que o homem é um dos responsáveis pelo calor crescente no globo.

Segundo John Balmes, um dos autores do estudo e ex-diretor do Comitê de Políticas de Saúde e Ambiente da ATS, os dados corroboram os resultados mostrados em um levantamento anterior, feito em 2014 com médicos norte-americanos. “A resposta dos médicos internacionais ressalta aquela dada pelos especialistas americanos, que também haviam notado um aumento na gravidade de doenças relacionadas à poluição, principalmente asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, pneumonia e doenças cardiovasculares”, afirma o médico em um comunicado.

O levantamento publicado ontem, inclusive, indica que a comunidade médica internacional se mostra até mais preocupada que a norte-americana, na qual o índice de especialistas que já veem os efeitos do clima sobre a saúde ficou na casa dos 89%, 7% a menos que a taxa média observada nos demais países. “Muitos itens sugerem que os respondentes internacionais percebem um impacto maior do aquecimento global sobre seus pacientes”, escrevem os autores no artigo, publicado na revista especializada Annals ATS.

Para 88% dos profissionais consultados é possível relacionar efeitos do aquecimento global com a maior severidade de doenças crônicas. O aumento de sintomas alérgicos provocados por plantas e mofo foi citado por 72% dos participantes, sendo seguido por mal-estar provocado pelo calor (70%), ferimentos decorrentes de eventos extremos (69%) e infecções causadas por vetores, como a dengue e o zika (59%). Diarreia e outros males causados por água ou comida contaminada também foram mencionados por 55%.

Acordo

Até agora, a principal medida tomada pela comunidade internacional para frear o aquecimento do planeta é o Acordo de Paris, um documento elaborado por todos os países-membros das Nações Unidas no fim do ano passado, na capital francesa. O pacto tem o objetivo de, por meio de esforços globais, impedir que o aquecimento da Terra alcance os 2ºC, tendo como referência as temperaturas registradas antes da Revolução Industrial, no século 18.

Para entrar em vigor, o acordo necessitava ser ratificado por um mínimo de 55 países que, juntos, representassem pelo menos 55% das emissões de gases causadores do efeito estufa. Ontem, uma cerimônia das Nações Unidas celebrou o fato de essa meta ter sido alcançada na quarta-feira passada, graças à aprovação do documento pelos parlamentos de sete países da União Europeia. Com isso, o Acordo de Paris entrará em vigor em 4 de novembro. “Graças a esse fato, as duas condições necessárias para que o acordo passe a valer foram alcançadas”, disse, à rede de tevê americana ABC, Laszlo Solymos, ministro do Meio Ambiente da Eslováquia.

O Brasil ratificou o tratado em 12 de setembro. Na Cúpula do Clima de Paris, no ano passado, o país assumiu a meta de reduzir as emissões de poluentes em 37% até 2025, e 43% até 2030, tendo como base o total emitido em 2005. Para especialistas, o Estado brasileiro não deve ter dificuldade em alcançar esse objetivo porque grande parte do trabalho foi feito na última década, especialmente graças à redução do desmatamento.

 

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