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Mudanças climáticas aumentam as chances de NY sofrer inundações, diz estudo

A conclusão é que, até 2100, a probabilidade de acontecerem enchentes na metrópole será de três a 17 vezes maior que a existente em 2000

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postado em 11/10/2016 06:00 / atualizado em 11/10/2016 07:41

Vilhena Soares

MTA/New York/Divulgação
Uma das maiores e mais visitadas cidades do mundo deve se preparar para enfrentar alagamentos de grandes proporções nas próximas décadas. De acordo com um novo estudo, o aquecimento global aumenta consideravelmente os riscos de Nova York sofrer, ao longo deste século, com cheias tão fortes quanto as provocadas em 2012 pelo Furacão Sandy.

Publicado na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), o trabalho se baseia em dados colhidos desde 1856 sobre as marés na costa leste americana e em registros que trazem dados geológicos dos últimos 2 mil anos. A conclusão é que, até 2100, a probabilidade de acontecerem enchentes na metrópole será de três a 17 vezes maior que a existente em 2000.

A origem da ameaça é o aumento da temperatura média da Terra. Com o aquecimento, eventos meteorológicos extremos se tornarão mais comuns. Além disso, o nível do mar mais elevado também facilitará a invasão pela água. Benjamin Horton, professor de Ciências Marinhas e Costeiras na Escola de Ciências Ambientais e Biológicas na Universidade de Rutgers, explica que a equipe vem estimando os impactos do aumento do nível do mar há alguns anos. “Nossa ênfase, contudo, se voltou para Nova York após o furacão Sandy”, explica ao Correio um dos autores do artigo.

Piora

Inserindo dados históricos em modelos computacionais, os cientistas observaram que, nas condições existentes no começo deste século, a cidade americana sofreria uma forte inundação a cada 400 anos. Contudo, quando as contas foram feitas com as previsões que os especialistas em clima têm feito para os próximos anos, chegou-se a esse cenário no qual, na melhor das hipóteses, o total de cheias triplicará. “As coisas vão piorar. Se nada mudar, e os furacões continuarem acontecendo paralelamente ao aumento do nível marítimo, a frequência de eventos como os provocados por Sandy será ainda maior até 2100”, explica Horton.

Para os pesquisadores, não há dúvidas de que o aumento do nível marítimo está ligado a efeitos naturais gerados pelo aquecimento global. “Nós mostramos, por meio de investigações geológicas, que nossas projeções são consistentes com a hipótese de que mudanças na temperatura e do nível do mar refletirão no futuro, como tem ocorrido ao longo dos últimos 2 mil anos”, destaca Robert Kopp, também da Universidade de Rutgers.

Paulo Cesar Rosman, especialista em engenharia oceânica e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concorda. “A elevação do nível do mar é causada pelo aquecimento da água, que cria um processo chamado de dilatação térmica (aumento de volume da água), o que intensificaria esses alagamentos. É o que pode acontecer em Nova York, embora a cidade fique em uma região em que os furacões são menos frequentes que na Flórida, onde eles ocorrem todo ano praticamente”, analisa o professor, que não participou do estudo.

Precaução

A sugestão dos responsáveis pela análise é que cidades costeiras, como Nova York, não apostem em uma melhora das condições climáticas e tomem medidas para se proteger caso as projeções mais pessimistas se confirmem. “Medidas devem ser tomadas imediatamente. Há um perigo real e presente para as nossas economias e sociedades ao longo da costa. Temos de reduzir a nossa emissão de gases com efeito de estufa e adaptar nossas orlas”, afirma Horton.

 

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