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Módulo espacial tentará pousar na superfície de Marte

Enviado pelas agências espaciais da Europa e da Rússia, equipamento de 600Kg inicia hoje descida ao Planeta Vermelho, depois de se separar da sonda Trace Gas Orbiter (TGO), que o transportou. Chegada à superfície marciana está prevista para a próxima quarta-feira

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postado em 16/10/2016 07:00 / atualizado em 16/10/2016 01:03

D. Ducros/AFP - 1/5/13


Hoje é um dia crucial para as agências espaciais da Europa e da Rússia. De um centro de controle localizado na Terra, partirá um comando que fará o módulo exploratório Schiaparelli se soltar da sonda Trace Gas Orbiter (TGO), atualmente a 175 milhões de quilômetros de distância, na proximidade de Marte. A separação, programada para as 11h42 (horário de Brasília), dará início a uma descida de três dias rumo ao Planeta Vermelho, onde o equipamento deverá pousar na quarta-feira.

Se tudo der certo, os centros de pesquisa europeu (ESA) e russo (Roscosmos) alcançarão um feito que até hoje é exclusividade dos americanos. Apenas a Nasa conseguiu fazer com que um equipamento de pesquisa chegasse intacto à superfície marciana. A missão de agora, batizada de ExoMars, acontece 13 anos depois de uma tentativa fracassada da União Europeia de enviar um robô de exploração ao mundo vizinho.

A meta final das duas agências é buscar por traços de vida em Marte, mas os cientistas se darão por satisfeitos caso o módulo exploratório pouse em segurança e envie informações para a Terra. Se tudo sair como esperado, um equipamento maior e com mais recursos de análise, o ExoMars Rover, será lançado em 2020. “Nosso objetivo imediato é demonstrar que podemos alcançar a superfície e arrecadar dados”, diz Mark McCaughrean, conselheiro da ESA.

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Para chegar a este momento, a sonda TGO percorreu 496 milhões de quilômetros em sete meses. Depois de liberar o Schiaparelli, que pesa cerca de 600kg, ela fará uma correção de curso para evitar o encontro com a atmosfera marciana e se dirigirá para uma órbita do planeta, buscando por gases que possam ser produzidos por organismos vivos a partir de 2018.

Se forem bem-sucedidos na quarta-feira, os cientistas envolvidos na iniciativa terão do que se orgulhar. Menos da metade das tentativas desse tipo — realizadas por Estados Unidos, Rússia e Europa — deu certo. A última vez que a ESA tentou, em dezembro de 2003, o módulo de fabricação britânica Beagle 2 desapareceu, sem deixar rastros, após se separar da nave-mãe Mars Express.

A busca por vida em Marte, um tema que estimula a imaginação da humanidade há tempos, é uma tarefa complexa, dado o bombardeio da superfície por raios ultravioletas e cósmicos. Os cientistas acham que os rastros de metano na delgada atmosfera de Marte podem ser um indício de que fenômenos biológicos estejam acontecendo em nível subterrâneo. Uma hipótese é que a fonte do gás sejam micróbios unicelulares denominados metanógenos, que, na Terra, existem em lugares sem oxigênio, como o estômago dos animais, onde convertem o dióxido de carbono em metano.

Pouso
Quando se soltar da TGO, o Schiaparelli estará a aproximadamente 1 milhão de quilômetros do Planeta Vermelho. O ingresso na atmosfera marciana está previsto para quarta-feira, a uma altitude de 121km e a uma velocidade de 21.000km/h. A entrada levará seis minutos.

Ao chegar à altitude de 11km e à velocidade de 1.700km/h, o módulo abrirá um paraquedas supersônico. Quarenta segundos depois, a parte da frente se desacoplará, assim como a metade traseira, com o paraquedas atado. Schiaparelli ativará então nove propulsores de controle de velocidade e manobrará até pousar na superfície.

Com 10 minutos de atraso — tempo que as ondas de rádio demoram para chegar à Terra —, as primeiras informações sobre temperatura, umidade, densidade e propriedades elétricas colhidas pelo equipamento deverão chegar à Terra. Dotado de baterias sem painéis solares, o módulo terá uma vida de dois ou três dias.

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