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Agência Espacial Europeia não recebe sinais de nave que tentou ir a Marte

Os cientistas não sabem se o equipamento se espatifou ou apenas apresentou problemas de comunicação. Já a sonda TGO entrou em órbita e funciona perfeitamente

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postado em 21/10/2016 06:00

Paloma Oliveto

Estava tudo correndo tão bem que, no centro de operações da Agência Espacial Europeia (ESA), em Darmstadt, na Alemanha, muita gente já estava de pé, com os braços para o alto. Mas eis que, depois de percorrer 500 milhões de quilômetros pelo espaço e entrar na inóspita atmosfera marciana, o módulo Schiaparelli, da ambiciosa missão que pretende buscar vestígios de vida no Planeta Vermelho, parou de se comunicar um minuto antes de tocar o solo. A apenas 1km da superfície, o robô se calou. As comemorações deram lugar à apreensão. Ontem, em uma coletiva de imprensa transmitida pela internet, a diretoria da ESA admitiu, oficialmente, que o paradeiro do Schiaparelli é desconhecido.

“Quando a colocamos no ambiente marciano, a nave não se comportou exatamente como o esperado, e pode levar algum tempo até que possamos localizá-la”, disse Andrea Accomazzo, gerente de operações planetárias da ESA. Ele explicou que os primeiros passos do módulo de 577kg em Marte ocorreram dentro do planejado: o robô abriu o paraquedas, e o escudo térmico funcionou perfeitamente. Antes de sumir do radar, ele chegou a enviar dados para a sonda TGO, que está na órbita do planeta. A falha ocorreu  pouco antes do minuto final do pouso, depois que o Schiaparelli se libertou do paraquedas.

Embora os sinais ainda estejam sendo analisados — as informações recebidas pela TGO devem ser anunciadas nos próximos dias, assim como imagens do pouso —, os especialistas suspeitam que o módulo tenha se libertado do paraquedas antes do indicado. Não se sabe se o robô se espatifou no contato com o solo ou se apenas os sensores pararam de funcionar. O desfecho do Shciaparelli em território marciano lembra a malograda missão europeia que, em 2003, mandou para o planeta o módulo Beagle 2. O robô também conseguiu chegar, mas nunca enviou sinais para a Terra.

Otimismo

Na entrevista de ontem, os executivos da ESA tentaram, porém, passar uma mensagem de otimismo. “Essa missão é composta por dois elementos: a nave-mãe e o módulo”, disse Accomazzo. “A sonda TGO se posicionou perfeitamente na órbita de Marte e está pronta para a ciência”, complementou Jan Woerner, o diretor-geral da ESA.

O objetivo do programa ExoMars é encontrar sinais da existência de vida em Marte (exo refere-se à exobiologia, também chamada de astrobiologia, o campo que investiga vida surgida fora da Terra) e, para isso, divide-se em duas missões. A primeira, lançada em março, consistia no envio da nave TGO e do módulo Schiaparelli. Até o minuto final, ela foi bem-sucedida. A segunda parte está prevista para 2020, quanto se tentará instalar uma plataforma científica na superfície do planeta.

Embora o robô provavelmente esteja inutilizado, a TGO continua na órbita marciana, de onde buscará metano e traços de outros gases atmosféricos que podem ser assinaturas de processos biológicos ou geológicos. O módulo perdido testaria tecnologias para as próximas missões ao planeta. “Sempre ficou claro que o Schiaparelli era um teste como muitos outros”, disse Accomazzo. “Nós temos informações chegando que vão nos permitir compreender os passos (do módulo Schiaparelli) e por que o pouso não ocorreu (como previsto). Do ponto de vista da engenharia, era o que esperávamos de um teste, e, agora, temos dados extremamente valorosos com os quais trabalhar”, garantiu David Parker, diretor de exploração robótica da ESA.

Júpiter

A semana não foi ruim apenas em Marte. A mais ou menos 550 milhões de quilômetros dali, em Júpiter, a nave Juno, da agência espacial americana, a Nasa, entrou em modo de segurança. Em princípio, um software induziu o reinício do computador de bordo. “A nave agiu como o esperado durante a transição ao modo de segurança, reiniciou com sucesso e está saudável”, disse a Nasa em um comunicado. Todos os instrumentos, porém, estão desligados, o que impediu a coleta de dados prevista para ontem. Quando o desligamento aconteceu, Juno estava a menos de 13 horas do ponto mais próximo de Júpiter.

 

 

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