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Estudo traça prejuízos invisíveis do aumento de gás carbônico na atmosfera

Entre eles, estão alterações na composição do solo e na estrutura das plantas

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postado em 01/11/2016 08:00

Paloma Oliveto

Mark Hovenden/Divulgação

 

Os efeitos do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera são bem conhecidos. Temperaturas altas, derretimento de calotas polares, aumento do nível do mar e estiagens prolongadas são alguns dos mais explorados pela ciência. Contudo, pesquisadores da Universidade de Southampton, na Austrália, alertam que não se pode ignorar as adversidades indiretas associadas à produção excessiva de CO2. De acordo com eles, consequências como alterações na composição do solo e na estrutura das plantas podem ter um impacto maior nos ecossistemas do que o imaginado.

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“Compreender a importância desses efeitos indiretos, em comparação com os diretos, vai melhorar nosso entendimento de como os ecossistemas respondem às mudanças climáticas”, alega Athanasios Paschalis, pesquisador da instituição e coautor de um estudo sobre o tema publicado na revista Plos. O cientista ambiental destaca que os impactos indiretos serão sentidos particularmente nas regiões áridas e semiáridas. “Para esses ecossistemas, eles podem ser ainda piores que os efeitos diretos”, observa. “Nossos resultados têm implicações também para o futuro dos recursos aquíferos e para projeções globais de fertilização com CO2. Isso porque, embora os efeitos diretos sejam tipicamente compreendidos e facilmente reproduzidos em modelos, simular os indiretos é algo muito mais desafiador e de difícil quantificação”, afirma.

O pesquisador dá um exemplo: diretamente, o aumento nos níveis de dióxido de carbono afeta diversas espécies ao estimular a fotossíntese e reduzir a perda de água — a transpiração da planta — porque diminui a abertura de pequenos poros localizados nas folhas, os estômatos. Isso desencadeia efeitos mais sutis e indiretos. “Quando as plantas fecham seus estômatos, elas usam menos água do solo, mudando a quantidade de água disponível para outras plantas. Ao mesmo tempo, alteração na disponibilidade de água e estímulo à fotossíntese podem mudar a quantidade de folhas, raízes e micróbios subterrâneos na composição da biomassa, o que leva a mudanças importantes no funcionamento dos ecossistemas”, observa o cientista.

Segundo os pesquisadores, efeitos indiretos como esses podem explicar em média 28% da resposta da produtividade das espécies, e eles são tão importantes quanto os diretos no processo de evapotranspiração — o balanço hídrico da região, calculado pela perda de água no solo por evaporação e pela perda de água da planta por transpiração. Para investigar os efeitos dos níveis elevados de CO2 em diversas regiões, os cientistas fizeram simulações computacionais. Dessa forma, conseguiram chegar a uma fórmula que determinou especificamente para quais ecossistemas e sob quais condições climáticas as consequências indiretas desse fenômeno são de importância crucial.

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