Cientistas descobrem antibiótico contra fungos estudando formigas

Substância tem a capacidade de inibir o crescimento da candida albicans, um tipo de fungo muito comum em humanos

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postado em 04/11/2016 21:09 / atualizado em 04/11/2016 21:26

Cientistas da Costa Rica e dos Estados Unidos desenvolveram um novo antibiótico com propriedades antifúngicas a partir de uma bactéria associada a um tipo de formiga que habita a floresta tropical costa-riquenha, informou nesta sexta-feira uma fonte acadêmica.

O antibiótico, batizado selvamicina, tem a capacidade de inibir o crescimento da candida albicans, um tipo de fungo muito comum em humanos, afirmou um comunicado da Universidade da Costa Rica (UCR).

A selvamicina foi identificada a partir de uma bactéria associada às formigas do gênero Apterostigma que cultivam fungos para a sua alimentação.

O antibiótico é composto de uma estrutura parecida à Nistatina A1 e à Anfotericina B, antimicóticos que apesar de serem amplamente conhecidos e usados, têm características nocivas para os humanos, como sua alta toxicidade, e por isso os cientistas buscam alternativas para substituí-los.
 
 
Além disso, "a resistência a drogas antimicrobianas é um problema global de saúde pública e a busca por novas moléculas com estas propriedades resulta essencial e urgente", afirmou o vice-reitor de pesquisa da UCR, Fernando García, em uma coletiva de imprensa na qual a descoberta foi anunciada.

Na pesquisa, que foi desenvolvida durante vários anos na estação experimental La Selva (daí o nome selvamicina), no nordeste do país, trabalharam cientistas da UCR, junto com colegas das universidades americanas de Harvard e do Wisconsin.

Adrián Pinto, membro da equipe de pesquisadores, explicou que vem trabalhando com pesquisas sobre as formigas no seu habitat natural desde 2009.

A identificação do antibiótico "reforça a ideia de que há muito por descobrir, de que as formigas são fonte de muitos produtos que a sociedade necessita", comentou Pinto.

Jon Clardy, da Universidade de Harvard, esclareceu que ainda "falta um longo caminho desde a etapa em que estamos até chegar a algo que possa ajudar as pessoas. No entanto, já iniciamos o processo".
 
Por France-Presse 
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